domingo, 28 junho 2026
Céu limpo
Maceió
25°C
Céu limpo
Céu limpo
Maceió
25°C
Céu limpo

Os 88 anos de Elza Rocha de Miranda: força silenciosa, amor, memória e resistência

por | 20 nov, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

 

Elza com os bisnetos

Por Thyago Miranda*

 

Dia desses, estávamos na Caixa Econômica da Deodoro, aqui em Maceió, realizando uma atividade em defesa da Caixa 100% pública. Já estávamos encerrando, alternando falas, e justamente quando comecei a falar, ela entrou. Mirou-me nos olhos, cumprimentou-me levemente e seguiu até o fim da área de atendimento dos caixas eletrônicos. Enquanto eu discursava, ela não olhava para mim. Concluí minha fala, e todos os clientes aplaudiram — menos ela.

Fui ao seu encontro, dei-lhe um beijo na cabeça e esperei algum comentário sobre meu desempenho. Para minha surpresa, ela apenas me pediu ajuda para sacar no caixa.

Ajudei-a, conversamos amenidades e ela foi embora.

Algum tempo depois, em um almoço de família, ela confidenciou à minha esposa: “Ele é como o avô… mas diga a ele que pare com isso, que ele tem os filhos para criar.”

Essa é a minha avó, dona Elza Rocha de Miranda**, que hoje, 20, completa 88 anos — com seu amor contido, discreto e genuíno.

Cresci acompanhando sua força, resiliência e coragem.

Sua vida pode ser resumida pela busca por justiça: o pai assassinado, o marido desaparecido.

Uma das frases que mais me marcaram, ouvi dela: “Em vez de chorar, fui trabalhar.”

Obrigado por tudo e feliz aniversário, Vovó Elzinha!

(*) É presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas.

(**) Elza Rocha de Miranda é viúva do jornalista e dirigente do PCB Jayme Amorim de Miranda, sequestrado em fevereiro de 1975, no Rio de Janeiro, e assassinado em São Paulo pelos órgãos de repressão da ditadura militar. Seu corpo nunca foi encontrado; Jayme permanece entre os desaparecidos políticos da ditadura.

 

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *