Falar sobre saúde mental desde a infância pode ajudar no autoconhecimento, na socialização e na prevenção do sofrimento emocional. Para o terapeuta cognitivo-comportamental e professor de Psicologia da Afya Unima, Anderson Paulo, um dos primeiros passos é ensinar crianças e adolescentes a reconhecer e compreender as próprias emoções.
“Todas as emoções têm funções protetivas, são naturais e inerentes. Não existe um botão de liga e desliga. Por isso, precisamos ensinar às crianças como agir com as emoções e naturalizar o sentir, e não o evitar”, afirma.
Brincadeiras, filmes, livros e jogos podem facilitar a conversa sobre sentimentos. O professor cita “Divertida Mente” como exemplo de recurso capaz de aproximar o tema da realidade infantil. A comunicação, porém, deve ser adequada à idade.
“Quanto mais jovem é a criança, mais lúdico precisa ser para ser entendido. Quanto mais velho for, mais adaptada precisa ser a comunicação”, explica.
Mudanças no comportamento também devem ser observadas por familiares e educadores. Isolamento, introspecção, alterações no apetite, agressividade, medo e reclamações frequentes podem indicar sofrimento emocional.
“Qualquer tipo de comportamento considerado normal da criança ou do adolescente que mude precisa ser observado e avaliado”, alerta Anderson.
O especialista também defende que temas relacionados à saúde mental não sejam tratados como tabu. Segundo ele, comunicação e acolhimento são fundamentais para identificar situações que exigem atenção.
Em casos de preocupação com possível risco, a orientação é conversar de forma direta, respeitosa e sem julgamentos. Perguntar sobre o que está acontecendo e, quando necessário, sobre falta de vontade de viver ou vontade de morrer não deve ser evitado.
“Observe, escute ativamente e adote uma postura não julgadora. Já existe sofrimento demais para a pessoa ainda sentir culpa ou vergonha pelo que falou ou fez”, ressalta.
A escola também tem papel importante, já que crianças e adolescentes passam grande parte do dia nesse ambiente. Para Anderson, instituições de ensino devem criar espaços de diálogo e preparar profissionais para acolher, identificar sinais e encaminhar casos quando necessário.
Família, escola e profissionais de saúde, como psicólogos, psiquiatras e pediatras, podem atuar conjuntamente no acompanhamento.
“As emoções são como ondas do mar: elas vêm e vão de forma natural. É preciso normalizar esse entendimento”, afirma.
Para o professor, o Setembro Amarelo deve servir como estímulo para manter o diálogo durante todo o ano. Demonstrar interesse pela rotina, estar presente, observar mudanças e perguntar diretamente quando houver preocupação são atitudes que podem fortalecer os vínculos.
“Às vezes, o primeiro passo para ajudar uma criança ou adolescente não é ter todas as respostas. É estar presente, perguntar, escutar e mostrar que aquele sofrimento não precisa ser enfrentado sozinho.”





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