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Crítica, investigação ou milícia? O limite entre a defesa de JHC e o ataque à imprensa

por | 4 set, 2026

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Uma acusação contra um jornalista não é uma questão menor. Quando um profissional da imprensa é associado publicamente a uma suposta “milícia digital”, a primeira pergunta que se impõe é objetiva: quais são as provas?

Foi diante dessa questão que o jornalista investigativo Wadson Correia reagiu após ter seu nome associado publicamente pelo advogado do candidato ao governo JHC, Felipe Lins, à expressão “milícia digital”.

Wadson nega a acusação e afirma que não integra qualquer estrutura desse tipo. “Quais são as provas?”, questiona o jornalista, ao cobrar do advogado os elementos que fundamentariam a declaração.

Para Wadson, a associação de seu nome a uma suposta “milícia digital” ultrapassa o campo da divergência jornalística e pode atingir sua honra, sua credibilidade e sua reputação profissional.

O jornalista também contesta qualquer interpretação de que tenha responsabilizado pessoalmente JHC pela morte de uma criança ocorrida na recepção do Hospital da Cidade.

“Jamais atribuí pessoalmente a JHC responsabilidade pela morte da criança”, afirma Wadson.

Segundo ele, o trabalho jornalístico questionou as circunstâncias do atendimento e o uso político da imagem do Hospital da Cidade, apresentado à população como referência de qualidade.

Há ainda outra questão levantada pelo jornalista. Wadson afirma suspeitar que o escritório de advocacia esteja supostamente recorrendo a práticas que poderiam caracterizar litigância predatória, mediante o ajuizamento ou a adoção reiterada de medidas judiciais contra jornalistas e veículos de comunicação da imprensa alagoana.

Na avaliação de Wadson, essas iniciativas poderiam produzir um efeito de intimidação sobre profissionais da imprensa e restringir o exercício da liberdade de expressão em Alagoas.

Essa é, porém, uma suspeita apresentada pelo jornalista e que precisa ser tratada como tal. A eventual caracterização de litigância predatória depende da análise de documentos, processos, decisões judiciais e outros elementos verificáveis. Não se deve antecipar uma conclusão sobre fatos ou responsabilidades que ainda precisam ser examinados.

O ponto central da discussão não está na existência do direito de contestar uma reportagem. É legítimo discordar de uma matéria, questionar uma crítica e recorrer ao Poder Judiciário.

A questão é saber até onde pode ir a defesa de um cliente quando o alvo da contestação é um jornalista: onde termina o exercício legítimo do direito de defesa e começa um ataque à reputação de quem exerce a atividade jornalística?

Wadson Correia afirma que cobra uma retratação pública do advogado Felipe Lins e que levou o caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para que a instituição examine as declarações e avalie eventual questão de natureza ética.

A análise sobre a existência ou não de infração ética, naturalmente, cabe à própria OAB. Até que isso ocorra, o que existe são posições distintas, acusações contestadas e uma disputa que coloca em discussão os limites entre o direito de defesa, a crítica jornalística e a liberdade de imprensa.

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