Itens de segurança antes restritos a veículos de categorias superiores estão cada vez mais presentes em modelos de entrada e intermediários. As tecnologias de assistência à condução, conhecidas pela sigla ADAS (Advanced Driver Assistance Systems), ampliam a segurança ao alertar motoristas sobre situações de risco e, em alguns casos, agir automaticamente para evitar colisões.
Levantamento do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) aponta que veículos equipados com alerta de colisão frontal e frenagem autônoma de emergência (AEB) registram cerca de 50% menos colisões traseiras em comparação com modelos sem esses recursos. O estudo também indica redução de 27% nos atropelamentos quando os automóveis contam com frenagem automática.
Em Alagoas, os números reforçam a necessidade de medidas preventivas. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) mostram que o estado contabilizou 3.037 sinistros de trânsito em 2025, com 682 mortes. Embora tenha havido queda de 15,3% no número de óbitos em relação ao ano anterior, os motociclistas ainda representam 59% das vítimas fatais.
Os impactos também são sentidos na rede pública de saúde. Somente no primeiro semestre de 2026, o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, realizou 3.203 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito. Foram 1.429 vítimas de colisões, 1.290 acidentes com motocicletas, 250 atropelamentos, 171 acidentes envolvendo bicicletas e 63 capotamentos.
Segundo o gerente comercial da Renault Du Nort, Rogério Almeida, os sistemas eletrônicos funcionam como um reforço à atenção do motorista.
“Os sistemas de assistência monitoram continuamente o ambiente ao redor do veículo e conseguem identificar situações de risco antes mesmo que o condutor perceba. Em muitos casos, eles alertam o motorista e, quando necessário, conseguem atuar para reduzir a gravidade de uma colisão. Mas é importante destacar que essas tecnologias não substituem a atenção de quem está ao volante; elas funcionam como apoio à condução.”
Como funcionam os sistemas
Entre os recursos mais comuns está a frenagem autônoma de emergência (AEB), que utiliza câmeras e sensores para identificar a possibilidade de colisão frontal. Caso o motorista não reaja aos alertas, o sistema pode acionar os freios automaticamente para evitar ou minimizar o impacto.
Outras tecnologias incluem o alerta de colisão frontal, que monitora a distância do veículo à frente; o assistente de permanência em faixa, que alerta e pode corrigir a trajetória quando o carro sai involuntariamente da pista; e o monitoramento de ponto cego, que identifica veículos fora do campo de visão dos retrovisores durante mudanças de faixa.
“Muitas ocorrências acontecem por distração, fadiga ou por uma avaliação incorreta da distância entre os veículos. Os sistemas eletrônicos conseguem identificar esses riscos em frações de segundo e oferecem um suporte importante para que o motorista tenha tempo de reagir”, afirma Rogério Almeida.
Recursos chegam a modelos mais acessíveis
A evolução da indústria automotiva fez com que esses equipamentos deixassem de ser exclusivos de veículos de luxo. Hoje, tecnologias de assistência à condução já estão disponíveis em modelos de diferentes segmentos, ampliando o acesso dos consumidores aos sistemas de segurança ativa.
Na linha da Renault, por exemplo, modelos como Kardian e Duster oferecem recursos como frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e câmeras de auxílio à condução.
Para Rogério Almeida, a popularização dessas tecnologias representa uma mudança importante na forma como a segurança veicular é tratada.
“Hoje, segurança não significa apenas proteger os ocupantes depois que um acidente acontece. Os veículos passaram a contar com sistemas que trabalham para evitar que a colisão ocorra. Esse é um avanço importante para todos que utilizam as vias e tende a contribuir para um trânsito cada vez mais seguro”, conclui.






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