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Ueno Bank: US$ 355 milhões da previdência pública ameaçados; presidente do Paraguai era sócio

por | nov 4, 2026 | Destaque, Geral | 0 Comentários

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A crise do Ueno Bank, no Paraguai, colocou em risco a recuperação de aproximadamente US$ 355 milhões pertencentes ao Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pela previdência pública do país. Controlado pelo Grupo Vázquez, o banco teve suas operações submetidas a um processo de resolução pelo Banco Central paraguaio em novembro de 2026.

Os recursos previdenciários estavam aplicados em depósitos a prazo, certificados de depósito de poupança e outros instrumentos financeiros. O IPS informou que pretende recorrer a medidas administrativas e judiciais para recuperar os valores. Até o momento, não há garantia de restituição integral.

O episódio ganha dimensão política extraordinária em razão das relações empresariais do presidente Santiago Peña com o grupo controlador do banco. Antes de assumir a Presidência do Paraguai, em agosto de 2023, Peña foi acionista do Ueno Holding, estrutura empresarial ligada ao controle da instituição, com participação de 1,58%. Ele deixou a sociedade em março de 2025, durante seu mandato presidencial.

A relação financeira também merece esclarecimentos. Sua declaração patrimonial, apresentada em setembro de 2025, registra contas no Ueno Bank e um financiamento concedido pela própria instituição para a construção de sua residência em San Bernardino.

Carlos Carvallo Spalding, presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), anunciou em 3 de novembro de 2026 o início do procedimento de resolução do Ueno Bank, após a diretoria da instituição aprovar a medida diante da deterioração dos índices de solvência do banco. Pouco depois, Carvallo comunicou sua renúncia, a pedido do presidente Santiago Peña. Antes de assumir o comando do Banco Central, em 2023, ele havia presidido a Financeira Ueno, antecessora do Ueno Bank.

A crise exige esclarecimentos sobre os critérios que levaram a previdência pública a concentrar recursos no banco, a fiscalização das aplicações e as relações entre seus controladores e o governo.

O destino dos US$ 355 milhões da previdência pública e a responsabilização dos envolvidos são questões centrais para a sociedade paraguaia.

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