A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) divulgou nota pública nesta quinta-feira repudiando as recentes ameaças de morte contra a ialorixá Mirian Araújo Souza Melo, conhecida como Mãe Mirian – Yá Binan, de 91 anos. A instituição também manifestou solidariedade à líder religiosa, reconhecida como referência das religiões de matriz africana no estado.
No documento, a Ufal ressalta que as agressões não representam apenas violência individual, mas um ataque ao patrimônio cultural e espiritual do povo negro. “Não é possível silenciar nem naturalizar a persistência do ódio religioso, do racismo estrutural e da barbárie contra corpos e espiritualidades negras neste país”, destaca o texto.
A nota também rememora a história da intolerância religiosa em Alagoas, citando a quebra de Xangô, episódio de repressão ocorrido no início do século XX. Segundo a universidade, a perseguição contra Mãe Mirian reflete a continuidade de um projeto que busca “eliminar o que resiste, floresce e ilumina há séculos”.
Há uma semana, a Ufal concedeu a Mãe Mirian o título de Doutora Honoris Causa, em reconhecimento à sua trajetória de luta, à sabedoria ancestral e ao papel social desempenhado no terreiro. Para a instituição, o gesto simboliza reparação histórica diante da invisibilidade a que esses saberes foram submetidos pelos cânones coloniais.
“Mãe Mirian é, com todo mérito, além de mãe biológica, mãe de santo, mulher nordestina aguerrida e Doutora de um Brasil profundo que se nega a morrer”, afirma a nota.
Ao final, a Ufal reforça que não será cúmplice da intolerância e que permanecerá ao lado da ialorixá e de todas as vítimas do racismo religioso. “Estaremos enquanto houver preconceito ou opressão a ser combatido, caminhando sempre na luta por um Brasil onde caibam todas as fés, todos os saberes e, acima de tudo, todas as vidas”, conclui o texto.






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