Por Geraldo de Majella*
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mais uma vez se vê no centro de um escândalo que revela a podridão de sua gestão e o domínio de um sistema corrupto e imoral. As recentes denúncias de Luísa Xavier da Silveira Rosa, ex-diretora de patrimônio da CBF, em entrevista à revista Piauí, colocam a nu a sórdida realidade da gestão de Ednaldo Rodrigues. Prostitutas contratadas para atender aos convidados em eventos da CBF, humilhações e assédios sexuais enfrentados por mulheres dentro da entidade — esse é o cenário que tem sido ocultado debaixo do tapete.
Contudo, a CBF não é a única responsável por esse mar de lama que afunda o futebol brasileiro. As federações estaduais são peças fundamentais desse jogo de poder, sendo cúmplices das práticas de corrupção e imoralidade dentro da entidade. Em vez de exercerem um papel de fiscalização e proteção do esporte, as federações se tornam aliadas da CBF, participando ativamente dos esquemas sujos que garantem uma fatia do lucro gerado pela exploração do futebol. A corrupção que ocorre nas esferas mais altas do futebol brasileiro é compartilhada pelas federações, que alimentam o ciclo vicioso em troca de favores e contratos ilícitos.
Porém, a cumplicidade não se limita à CBF e às federações. A imprensa corporativa, que deveria ser o fiscal do poder e denunciar as mazelas, também tem suas mãos sujas. Ao assinar contratos bilionários com a CBF e outros atores do futebol, a mídia se torna parte do sistema de encobrimento e manipulação, dando voz aos criminosos e silenciando as vítimas. Em vez de questionar as práticas da CBF e das federações, muitos veículos de comunicação preferem ignorar os escândalos em troca de interesses econômicos garantidos pelos contratos publicitários. O dinheiro proveniente de acordos com a CBF compra o silêncio e a omissão de uma imprensa que se submete à lógica de mercado e à proteção dos interesses dos poderosos.
A prostituição institucionalizada, a corrupção generalizada e a manipulação midiática são apenas a ponta do iceberg de um sistema profundamente podre, onde o futebol virou uma mercadoria negociada por uma elite corrupta e sem escrúpulos. O verdadeiro espírito do futebol, aquele que emociona e conecta os brasileiros, é destruído em nome do lucro fácil, da política de favorecimentos e da manutenção de um poder imoral e nocivo ao esporte.
Luísa Xavier, ao expor sua história de assédio e humilhação, revela um sistema onde a violência institucional, a exploração das mulheres e a impunidade prevalecem, com a proteção das federações e o silêncio da imprensa. O futebol brasileiro, que deveria ser uma celebração do esporte e da cultura, tornou-se um campo de batalha onde os interesses escusos de poucos atropelam os direitos e a dignidade de todos.
O mar de lama da CBF é alimentado pela aliança suja entre a entidade, as federações e a mídia, que têm seus próprios interesses econômicos e políticos a proteger. O futebol brasileiro precisa urgentemente de uma ruptura com esse sistema de corrupção, abuso e exploração, e os responsáveis por essa situação devem ser cobrados e responsabilizados por suas ações.
*Historiador e jornalista.





0 comentários