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Apostas esportivas: o enriquecimento dos ídolos e o empobrecimento das famílias

por | 17 maio, 2025

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Foto: Getty Images

Por Geraldo de Majella*

O Brasil vive uma contradição alarmante. De um lado, um mercado bilionário de apostas esportivas cresce com velocidade, amparado pela imagem de ex-atletas consagrados e jornalistas renomados. De outro, famílias inteiras entram em colapso diante do vício, das dívidas e dos transtornos mentais causados pela compulsão em apostar.

Entre os nomes que se destacam nas campanhas publicitárias de casas de apostas estão Ronaldo Nazário e Rivaldo, ambos vinculados à Betfair; Cafu, associado à Superbet; além de Roberto Carlos, Marcelo, Douglas Costa, Paulinho e Denílson Show, que também participaram de campanhas do setor.

No jornalismo esportivo, a presença de figuras como Galvão Bueno, Tiago Leifert e Tino Marcos, todos atuando como promotores de casas como a Betano e Esportes da Sorte, confere ainda mais legitimidade a um setor que opera, muitas vezes, sem transparência.

Segundo estudos da Fiocruz, aproximadamente 15% dos apostadores desenvolvem algum grau de dependência. O público mais afetado são os jovens, geralmente homens entre 18 e 30 anos. O psiquiatra Carlos Salgado, referência nacional no estudo do jogo patológico, afirma que a aposta compulsiva se tornou um problema de saúde pública. Depressão, ansiedade, isolamento social e até tentativas de suicídio têm sido registradas com frequência cada vez maior.

Enquanto isso, as casas de apostas movimentam cifras exorbitantes: mais de R$ 100 bilhões em 2023, segundo dados de mercado. A maior parte dessas plataformas está sediada fora do Brasil, o que dificulta a fiscalização e torna a evasão fiscal um risco recorrente. Para o médico Salomão Rodrigues Filho, representante do Conselho Federal de Medicina no Senado, trata-se de “um roubo institucionalizado da renda das famílias pobres”.

Entidades como o Procon-SP têm registrado aumento nas denúncias de lesões a consumidores, enquanto clínicas públicas e privadas observam o crescimento na busca por tratamento de apostadores compulsivos. A fragilidade da regulação e a omissão do poder público tornam o problema ainda mais grave.

É urgente abrir um debate público e ético sobre o papel de celebridades esportivas e jornalistas na promoção de um setor que aprofunda desigualdades e ameaça o bem-estar social. Ao transformar o sonho do lucro fácil em uma armadilha psicológica e econômica, as apostas esportivas desafiam a consciência coletiva e exigem respostas imediatas.

O lucro das bets e o prejuízo da população

Estima-se que as apostas movimentam R$ 100 bilhões por ano no Brasil. Mas quem ganha? Casas sediadas fora do país, plataformas digitais e celebridades. Enquanto isso, o povo perde o que tem.

O Procon-SP e o Conselho Federal de Medicina alertam: é preciso regular, fiscalizar e alertar a população. O médico Salomão Rodrigues Filho classificou o setor como um “roubo institucionalizado da renda dos pobres”.

*É historiador e jornalista

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