Nos últimos anos, os bancos privados brasileiros vêm promovendo uma profunda transformação em suas estruturas físicas e de atendimento. O que antes era chamado de agência bancária agora tem sido rebatizado como “loja”, um nome que, à primeira vista, sugere modernização e proximidade com o público. Mas, por trás dessa mudança aparentemente inofensiva, há um processo de reestruturação que retira postos de trabalho, fragiliza a segurança e reduz a proteção de clientes e funcionários.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, os bancos vêm trocando as antigas agências — com vigilantes, portas giratórias e cofres — por pequenas “lojas bancárias”, sem segurança armada nem detectores de metais. Sob o pretexto de modernização e proximidade com o cliente, a mudança gera economia bilionária em segurança e manutenção, ampliando ainda mais os lucros das instituições.
De acordo com o sindicato, a retirada de vigilantes e de portas giratórias representa um risco direto à integridade de trabalhadores e usuários. As entidades de classe afirmam que essa decisão foi tomada sem diálogo com os sindicatos e que a economia obtida pelos bancos se dá às custas da precarização das condições de trabalho.
O processo de transformação é acompanhado por uma redução drástica no número de agências. Somente em 2024, os bancos privados fecharam mais de 850 unidades em todo o país, segundo levantamento do movimento sindical. O avanço dos aplicativos e canais digitais tem sido usado como justificativa para o enxugamento, mas as consequências sociais são visíveis: cidades médias e pequenas ficaram sem atendimento presencial, idosos e pessoas sem acesso digital foram excluídos do sistema bancário, e milhares de vigilantes perderam seus empregos com o fim dos contratos terceirizados de segurança.
A transformação das agências em “lojas” faz parte de um modelo voltado à concentração de lucros e corte de custos. Sob o discurso de “melhorar a experiência do cliente”, os bancos reduzem despesas e ampliam ganhos para os acionistas. Em 2024, Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual somaram lucros acima de R$ 100 bilhões.
Em Maceió, o tema tem mobilizado a categoria bancária e o poder legislativo municipal. A Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade um projeto de lei que obriga os bancos a manterem medidas de segurança em suas unidades de atendimento. Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, Thyago Miranda, a luta dos trabalhadores é também pela proteção da sociedade:
“A luta do Sindicato dos Bancários de Alagoas, assim como dos demais sindicatos no país, é pela aprovação de leis que garantam a segurança bancária. Existem leis aprovadas em Recife, Olinda, Serra Talhada, Arcoverde, Cabo de Santo Agostinho, Abreu e Lima e Carpina. É importante para a segurança de todos que as agências bancárias mantenham a estrutura de segurança. Vivemos numa sociedade cada vez mais insegura — não é razoável retirar a segurança das agências bancárias. Manter a segurança para os bancários e os clientes é também garantir os empregos dos trabalhadores da vigilância.”
Milhares de clientes vão diariamente às agências, agora transformadas em “lojas bancárias”, onde faltam vigilantes e funcionários suficientes — um retrato da ganância do sistema financeiro, cada vez mais voraz e distante das pessoas.






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