O defensor público Ricardo Melro realizou uma nova inspeção ao 4º Batalhão da Polícia Militar de Alagoas, localizado no bairro do Farol, e encontrou mais um indício das contradições envolvendo a Braskem e a gestão da crise provocada pelo colapso do solo em Maceió. O prédio, situado dentro da área 01 do mapa oficial da tragédia ambiental, está passando por manutenções totalmente custeadas pela Braskem.
Durante a visita, foram identificadas rachaduras, fissuras e trincas em diversas partes do imóvel, muitas delas disfarçadas por pinturas recentes. Segundo Melro, essa é mais uma demonstração de que a empresa reconhece sua responsabilidade pelos danos — ao menos quando convém. Outro exemplo citado é o da ETA Cardoso, imóvel fora do perímetro reconhecido pela empresa, mas que também recebeu reparos pagos por ela.
Enquanto isso, os moradores de bairros como Bom Parto e da Rua da Lagoa — muitos deles com imóveis em situação tão crítica quanto a do 4º BPM — continuam sendo orientados pela Defesa Civil a arcar do próprio bolso com as despesas de manutenção. Para o defensor, trata-se de uma injustiça flagrante.
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“Dois pesos, duas medidas. A Braskem e a Defesa Civil, que integram o mesmo Comitê Técnico, definem arbitrariamente quem merece uma espécie de ‘indenização disfarçada’ e quem fica à mercê do risco e do abandono”, denuncia Ricardo Melro.
O defensor também alertou que na semana passada uma casa foi interditada por risco de desabamento, em uma área sequer incluída no mapa oficial da Braskem. A realidade vivida por essas famílias — marcada pelo medo, incerteza e prejuízos — contrasta com o “mundo ideal” retratado nos laudos técnicos que baseiam decisões judiciais.
“A justiça não pode continuar ignorando as evidências materiais. O princípio da precaução, previsto no direito ambiental, exige ação imediata para proteger vidas humanas”, reforça Melro.
A luta, segundo o defensor, é para que os processos levem em conta a realidade concreta das vítimas e não apenas os relatórios encomendados. “Não podemos aceitar que a reparação de danos seja seletiva. O sofrimento de uma família não vale menos que a estrutura de um prédio público”, conclui.






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