A VIII Assembleia Geral do Povo Indígena Xucuru-Kariri, realizada na Fazenda Canto, em Palmeira dos Índios, reuniu lideranças de 12 etnias de Alagoas, Sergipe e Pernambuco, além de representantes de órgãos públicos e organizações sociais.
O encontro teve como foco central a demarcação das terras Xucuru-Kariri — tema que mobiliza o povo originário diante das tentativas de deslegitimar o processo.
Entre os presentes, o desembargador Tutmés Airan, reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos, reafirmou seu apoio à causa indígena e ressaltou que a demarcação das terras é “um dever constitucional do Estado brasileiro”, tratando-a como uma questão de justiça e reparação histórica urgente.
“Participei da assembleia geral do povo indígena Xukuru-Kariri, em Palmeira dos Índios, uma importante atividade de resistência e organização. (…) Trata-se de uma questão de justiça e reparação histórica mais do que urgente. Contem comigo nessa luta”, declarou Tutmés Airan.
A fala do magistrado foi recebida com entusiasmo pelas lideranças indígenas, em meio a um contexto de discurso de desinformação propagado por fazendeiros e políticos locais, que têm difundido mentiras sobre o processo de demarcação. O objetivo, segundo lideranças, é criar um clima de conflito entre posseiros e indígenas, usando os pequenos agricultores como massa de manobra para defender interesses dos grandes proprietários ruraisos.
Durante o encontro, Tanawy Kariri, coordenador distrital de Saúde Indígena, reforçou o caráter pacífico da luta Xucuru-Kariri.
“Não somos inimigos dos posseiros. Queremos que a demarcação aconteça de forma justa, com reassentamento digno dos pequenos agricultores”, afirmou.
O professor Cícero Albuquerque, coordenador regional da Funai, alertou para a importância de combater a desinformação e reafirmou o papel das instituições públicas na garantia dos direitos indígenas e na construção de soluções justas para todas as partes envolvidas.
A assembleia consolidou-se como um espaço de resistência e esclarecimento, reafirmando que a luta pela terra é também uma luta pela verdade histórica e pela justiça social.
O povo Xucuru-Kariri, um dos mais antigos de Alagoas, carrega uma trajetória de décadas de reivindicações e resistência. A presença de Tutmés Airan, com seu histórico de compromisso com os direitos humanos, deu novo peso simbólico à causa, reforçando que a demarcação é um ato de reparação e reconhecimento histórico dos povos que habitam a região muito antes da formação do Estado brasileiro.






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