A disputa pela presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) caminha para mais uma eleição sob sombra de escândalos. O principal candidato, o médico Samir Xaud, de 41 anos, responde a processo por improbidade administrativa e já foi suspenso por dois anos do cargo de perito do Tribunal de Justiça de Roraima após um laudo com erro grosseiro.
O histórico do favorito na corrida evidencia o dilema recorrente da entidade: numa estrutura onde a corrupção é sistêmica, como eleger dirigentes sem máculas ou processos judiciais? A CBF, que há décadas enfrenta denúncias de desvios, favorecimentos e manipulação política, mantém uma lógica interna onde a impunidade frequentemente prevalece sobre a ética esportiva.
Xaud comandou o Hospital Geral de Roraima (HGR) entre 2017 e 2020, período em que, segundo o Ministério Público de Roraima, participou de um esquema de falsificação de documentos para justificar pagamentos indevidos à empresa Coopebras. O prejuízo estimado foi de R$ 1,4 milhão. Para o promotor Igor Costa, o que houve foi um “expediente fraudulento” que resultou em repasses irregulares aos cofres da empresa.
Mesmo diante da acusação, o médico permanece com amplo apoio dentro da estrutura da CBF. Ao todo, 22 federações estaduais já declararam voto em Xaud, reforçando o padrão histórico da entidade: candidaturas com respaldo político resistem a escândalos públicos e atravessam processos judiciais sem grandes prejuízos à viabilidade eleitoral.
Com forte presença nos bastidores, Samir Xaud também é herdeiro de uma dinastia do futebol roraimense. Seu pai, Zeca Xaud, comandou a federação estadual por quatro décadas. Hoje, Samir assume o mesmo protagonismo político, disputando o controle da CBF num momento em que a entidade está sob intervenção de Fernando Sarney.
A eventual eleição de Samir Xaud, acusado de improbidade administrativa e já punido por erro grave como perito judicial, escancara a contradição central da CBF: como falar em reconstrução da credibilidade com candidatos sob investigação por fraude? A verdade é que sua candidatura se encaixa numa lógica perversa e recorrente da entidade. De Ricardo Teixeira a Ednaldo Rodrigues, passando por José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo e tantos outros, a presidência da CBF tem sido ocupada por dirigentes envolvidos em escândalos de corrupção, abuso de poder ou má gestão. Em vez de ser exceção, Xaud representa a norma de uma instituição onde a impunidade, os conchavos e a falta de transparência continuam reinando no topo do futebol brasileiro.






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