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Morre Preta Gil, a força da arte, da superação e da liberdade

por | 20 jul, 2025

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Foto: Divulgação

Preta Gil atravessou as últimas duas décadas como um raio de luz incandescente na cultura brasileira. Cantora, atriz, produtora, apresentadora, empresária e ativista, ela transformou sua trajetória pessoal em trincheira pública — sem nunca abrir mão da alegria, da sensualidade e da ternura. Filha do cantor e ex-ministro Gilberto Gil, Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 1974, mas construiu sua própria voz num país ainda cercado de tabus sobre corpo, sexualidade, raça e padrões de beleza.

Lançou seu primeiro disco, Prêt-à-Porter, em 2003, rompendo desde o início com convenções da indústria musical. Exibia seu corpo sem retoques, cantava sobre prazer e empoderamento feminino, e já naquele momento apontava para pautas que hoje são bandeiras contemporâneas — como a liberdade dos corpos dissidentes e o enfrentamento da gordofobia.

Preta não se limitou ao palco. Criou o Bloco da Preta, um dos maiores do Carnaval de rua do Rio, reunindo centenas de milhares de pessoas num grito coletivo de diversidade, afeto e festa. Sua carreira se expandiu para a TV, o cinema, o teatro e também para a produção de eventos e iniciativas culturais que combinam entretenimento e engajamento social.

Nos últimos anos, seu ativismo ganhou ainda mais potência. Mulher negra, artista gorda, bissexual, mãe, Preta tornou-se símbolo de luta por inclusão e respeito. Enfrentou com coragem o racismo estrutural e o machismo da indústria cultural, e usou sua visibilidade para promover campanhas sobre autoestima, saúde feminina e direitos LGBTQIA+.

Em 2023, sua vida virou mais uma vez do avesso com o diagnóstico de um câncer no intestino. Ao tornar pública a doença e seu processo de tratamento, Preta deu um exemplo de dignidade e coragem. Passou por cirurgias, sessões de quimioterapia e internações delicadas, sem jamais deixar de se comunicar com seus fãs e seguidores. “Eu não sou a mesma mulher que adoeceu”, disse, ao anunciar sua cura. “Hoje sou mais forte, mais espiritualizada, mais consciente do valor da vida.”

Essa nova fase marca também um recomeço artístico. Preta vem trabalhando em projetos musicais que revisitam suas raízes e celebram sua ancestralidade. Ao mesmo tempo, tem se aproximado de causas ligadas à saúde pública, especialmente à prevenção do câncer de intestino e ao cuidado integral do corpo da mulher.

Preta Gil é, acima de tudo, uma artista do encontro. Seu legado ultrapassa rótulos. É feito de pele, voz, coragem, erros, amor, acolhimento e festa. Como ela mesma disse certa vez: “Eu canto para libertar. Porque só quem já esteve presa sabe o valor da liberdade”.

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