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Na Sombra do Juazeiro

por | 29 maio, 2025

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Foto: Cortesia

Por Diego Barros

Marcos Lima foi o único empregado da Casal contratado como fotógrafo. Ficou na empresa por 30 anos, onde foi o responsável por criar, organizar e manter um rico acervo fotográfico que conta a história da Companhia. As fotos mais antigas, ainda impressas em papel fotográfico, foram escaneadas pelo próprio Marcos, que criou pastas nos computadores e HDs externos para preservar essa memória imagética.

Se hoje temos acesso a fotos em preto e branco de obras fundamentais para o abastecimento da população, devemos isso ao trabalho de Marcos Lima, que catalogou, organizou e preservou essas imagens, criando um acervo que guarda a memória do saneamento em Alagoas.

Ele saiu da Casal em 2014, aos 70 de idade, por motivo de aposentadoria, mas ainda ativo em outras atividades: era radialista e pesquisador da cultura popular.

No ambiente online, tinha um site onde guardava suas pesquisas sobre cultura popular, folclore, danças, cantos, contos e personagens reais do Nordeste que não ganharam destaque nos livros de história.

Na Rádio Correio AM, aos sábados, apresentava um programa chamado “Na Sombra do Juazeiro”, onde dava espaço a artistas que representam a cultura popular-raiz.

Sua paixão pela cultura era tanta que, em uma ocasião, quando recebeu uma ligação de serviço de telemarketing, ele perguntou de onde a atendente estava falando e, quando ela disse que era de Fortaleza, ele perguntou: “Você já ouviu falar no beato Fulano de Tal (não me recordo o nome que ele disse) que era aí do Ceará?” A moça do outro lado da linha disse que não conhecia.

O Ceará, aliás, era um dos locais para onde ele viajava quando a saúde ainda permitia. Ia inclusive sozinho, com destino a Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero e da Beata Maria de Araújo.

Nos 10 anos seguintes após deixar a Casal, Marcos vez ou outra aparecia na Ascom para conversar e contar da vida. Já aposentado, ficou viúvo, após a esposa falecer de forma repentina. Isso o deixou muito abalado, mas ainda produtivo.

Sempre que nos encontrávamos, ele fazia questão de reforçar o quanto era importante estudar a língua portuguesa e a gramática.

Em 2024, por ocasião de mais uma edição do Concurso Interno de Fotografia da Casal, Evilásio e eu fizemos a sugestão de mudar o nome para “Prêmio de Fotografia Marcos Lima”, homenagem mais que merecida.

Em seguida, convidamos o próprio Marcos para ser um dos jurados a ajudar na escolha das fotos vencedoras. Ele aceitou e ficou muito honrado. Depois, foi convidado e participou da entrega da premiação aos vencedores.

Nas pautas da Ascom, quando ia fazer fotos, Marcos, na verdade, não ia apenas fazer isso. Ele ia conhecer as pessoas, conversar e, mais uma vez, falar sobre a cultura popular que emana de cada um do povo, da gente humilde do Nordeste. Suas palavras, atitudes e diálogos iam muito além da pauta.

Agora, depois de cumprida sua jornada, Marcos encontrou uma Sombra de Juazeiro no céu para descansar. Que descanse em paz.

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