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Nordeste registra 822 mil denúncias de violência contra crianças em três anos

por | 25 fev, 2026

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Foto: Internet

O Nordeste registrou um aumento de 31% no volume de denúncias de violência contra crianças e adolescentes nos últimos três anos. Levantamento realizado pela Agência Tatu, com base em dados do Disque 100 (Disque Direitos Humanos), aponta que 822.045 denúncias foram contabilizadas entre 2023 e 2025.

Em 2025, o Rio Grande do Norte liderou as estatísticas regionais, com taxa de 140 denúncias por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem Paraíba (127 por 100 mil) e Sergipe (125 por 100 mil), consolidando um cenário de alta incidência na região.

Denúncia não é o mesmo que violação

Os números revelam uma diferença fundamental: denúncia não é sinônimo de violação. Uma única comunicação ao Disque 100 pode reunir múltiplos abusos.

Na prática, a violação ocorre quando um direito fundamental é desrespeitado ou negligenciado. Isso inclui agressões à integridade física e psicológica, restrição de liberdade, descumprimento de direitos sociais, civis e políticos, além de violência institucional e ameaças ao direito à vida.

O levantamento da Agência Tatu mostra ainda que a maioria das violações ocorre dentro da própria residência onde vítima e suspeito convivem. Ataques à integridade física e psíquica lideram o ranking dos registros.

Violência repetitiva e silenciosa

Para Mariana Sampaio, presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Alagoas, o aumento das denúncias revela um duplo movimento: mais conscientização e, ao mesmo tempo, agravamento das vulnerabilidades.

“O aumento das denúncias ao Disque 100 no Nordeste reflete tanto o fortalecimento da cultura da denúncia e da conscientização social quanto o agravamento de vulnerabilidades que expõem crianças e adolescentes a situações de violência. Mais do que números, esses dados refletem a necessidade de qualificar a prevenção, o atendimento e a proteção integral”, afirma.

Segundo a especialista, os registros indicam um padrão de polivitimização.

“Os dados revelam que a mesma criança ou adolescente costuma sofrer múltiplas formas de violência simultaneamente — física, psicológica, sexual, negligência ou exploração. Em regra, os casos que chegam aos canais oficiais já são os mais graves, marcados por violações contínuas e em estágio avançado.”

A residência se consolida como principal cenário de violência justamente pela relação de dependência e assimetria de poder.

“A ideia ainda presente de que a dinâmica familiar pertence ao âmbito privado dificulta a denúncia e retarda a intervenção estatal, permitindo que práticas violentas sejam naturalizadas. A violência doméstica costuma ser crônica, repetitiva e invisibilizada no cotidiano, fazendo com que os casos só cheguem aos canais oficiais quando já envolvem múltiplas e graves violações de direitos”, destaca.

Resposta precisa ser estrutural

Para enfrentar o problema, especialistas defendem uma atuação integrada. O combate à violência exige políticas públicas contínuas, fortalecimento das famílias, identificação precoce de riscos, articulação da rede de proteção, atendimento especializado às vítimas, responsabilização dos agressores e produção qualificada de dados.

Sem informação estruturada, ressaltam, não há política pública eficaz.

Como denunciar

A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos disponibiliza canais gratuitos para registro de denúncias, que podem ser feitas de forma anônima ou identificada. O Disque 100 funciona 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados.

Também é possível denunciar pelo site oficial, via WhatsApp (61 99611-0100) ou Telegram. O serviço oferece atendimento em Libras e cada registro gera um número de protocolo para acompanhamento do caso.

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