
Foto: Agência Alagoas
Por Geraldo de Majella*
A escola pública é, em cada município de Alagoas, o espaço que concentra a maior quantidade de pessoas em atividade regular. Não há empresa, indústria ou organização privada que reúna tantos trabalhadores em torno de uma mesma estrutura. Mesmo em Maceió, com sua diversidade econômica, nenhuma instituição possui a capilaridade social da rede pública de ensino.
Esse dado, por si só, deveria reposicionar o debate: a gestão das escolas não se limita à administração de unidades educacionais, como se fossem fábricas com trabalhos repetitivos — trata-se de coordenar uma das mais complexas estruturas sociais públicas do estado.
A gestão da escola pública ainda opera, em grande medida, sob uma lógica herdada do século XX. Houve mudanças, é verdade, mas elas não foram suficientemente estruturantes. O formato administrativo permanece, muitas vezes, engessado, pouco integrado e distante das exigências contemporâneas. A escola mudou, os estudantes mudaram, o mundo mudou — mas a gestão segue, em diversos aspectos, presa a rotinas e modelos que já não respondem à complexidade atual.
Superar esse descompasso exige reconhecer que a gestão escolar precisa ser pensada como política pública estratégica. Isso passa, necessariamente, por investimento consistente em tecnologia — não como adereço ou modernização superficial, mas como ferramenta integrada ao funcionamento da escola. Sistemas de gestão eficientes, acompanhamento em tempo real da frequência e da aprendizagem e comunicação direta com as famílias podem redefinir a relação entre escola, Estado e comunidade.
Há um ponto frequentemente negligenciado: o papel dos trabalhadores administrativos. A escola não se sustenta apenas na sala de aula. Secretários, técnicos, auxiliares, profissionais da alimentação escolar e gestores compõem uma estrutura indispensável ao seu funcionamento. No entanto, muitos desses profissionais ainda ingressam sem formação adequada ou permanecem sem oportunidades de qualificação. Realizar concursos públicos e instituir políticas permanentes de capacitação não é apenas uma medida administrativa — é um passo essencial para profissionalizar a gestão escolar.
Outro elemento central é a necessidade de instituir indicadores de qualidade do serviço prestado à comunidade escolar. A escola pública precisa ser avaliada não apenas pelos resultados acadêmicos, inclusive os medidos por indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), mas também pela qualidade do atendimento, pela eficiência dos processos e pela capacidade de resposta às demandas da população. Criar índices que reflitam essa dimensão mais ampla é fundamental para dar transparência, orientar políticas e fortalecer o controle social.
Mas nenhuma dessas mudanças se sustenta sem uma reestruturação mais ampla da própria Secretaria de Estado da Educação. É nesse nível que se define a capacidade de coordenação do sistema. Planejamento, formação, distribuição de recursos e acompanhamento das escolas dependem de uma estrutura administrativa moderna, integrada e orientada por dados. Sem isso, as iniciativas se dispersam e perdem impacto.
A gestão da escola pública, portanto, precisa ser compreendida em sua dimensão sistêmica. Não se trata apenas de melhorar práticas isoladas, mas de reorganizar um conjunto complexo de relações, funções e responsabilidades. Em um estado como Alagoas, onde a escola pública ocupa um lugar central na vida social, essa transformação não é opcional — é necessária.
Persistir em modelos ultrapassados é, na prática, limitar o potencial de milhares de estudantes e profissionais. Avançar, por outro lado, exige decisão política e investimento contínuo. A escola pública no século XXI tem conquistado avanços pontuais, mas ainda está aquém das necessidades e da realidade dos alunos e da sociedade. Essa discussão é urgente.
Gestão da escola pública: entre o século XX e as urgências do presente. Esse é o desafio que se impõe. Superá-lo exige decisão política, investimento contínuo com planejamento. O que está em jogo é a capacidade da escola pública se reorganizar para responder ao seu tempo, conectada à realidade dos alunos e da sociedade.
*Historiador, jornalista e ex-secretário Executivo de Ciência, Tecnologia e Educação Superior de Alagoas.




Caríssimo Geraldo Majella! É um Privilégioe Oportunidade de ler suas reflexões ÍMPARES e NECESSÁRIAS. Sou sua FÃ INCONDICIONAL. ESTAMOS JUNTAS e JUNTOS EM PROL DE MUDANÇAS SOCIOAMBIENTAIS, SOCIOCULTURAIS, SOCIOECONÔMICAS…ENFIM,EM PROL DE UMA ALAGOAS COM POLÍTICAS PÚBLICAS CONSISTENTES E EFETIVAS.