domingo, 21 junho 2026
Algumas nuvens
Maceió
25°C
Algumas nuvens
Algumas nuvens
Maceió
25°C
Algumas nuvens

Para haver futuro, é preciso reconhecer os saberes indígenas como ciência

por | 15 out, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Da esquerda para a direita, os pesquisadores indígenas Justino Rezende, Clarinda Sateré-Mawé, Francy Baniwa, Silvio Barreto e João Paulo Lima Barreto | Foto: João Biehl

“Não haverá futuro para a Amazônia se a gente não reconhecer que as populações que estão lá há pelo menos 12 mil anos, cuidando dos espaços que existem, devem ser incluídas nesse diálogo”, afirmou a pesquisadora Carolina Levis. Ela é uma das autoras do artigo “Indigenizando a Ciência da Conservação para uma Amazônia Sustentável”, publicado na revista Science.

O estudo reúne cientistas indígenas dos povos Tukano, Tuyuka, Bará, Baniwa e Sateré-Mawé com pesquisadores ocidentais para propor um novo modelo de ciência — um que integre os saberes tradicionais às práticas acadêmicas. “A floresta é o umbigo do mundo”, disse Francy Baniwa, doutora em Antropologia Social, destacando que a natureza é vista pelos povos originários como parte viva do ser humano.

Justino Rezende, do povo Tuyuka, reforça: “O conhecimento indígena é ciência porque é construído a partir da observação e da convivência com o ambiente. Somos pesquisadores há milênios.”

Para os autores, reconhecer as epistemologias indígenas é vital para repensar as estratégias de conservação. “O pensamento ocidental separou o ser humano da natureza, e é essa ruptura que nos trouxe até a crise climática”, alerta Levis.

O artigo marca um passo histórico: é um dos primeiros publicados na Science com indígenas brasileiros como autores principais. Segundo Francy, o reconhecimento acadêmico é importante, mas o essencial é que “o mundo escute de fato as vozes da floresta”.

Os cientistas defendem que a integração entre os dois sistemas de conhecimento — o ocidental e o indígena — não deve ser simbólica, mas prática e horizontal. “Não basta convidar indígenas para eventos. É preciso permitir que eles definam as perguntas e as respostas”, afirma Rezende.

A publicação surge em um momento decisivo para o planeta. Às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, os autores lembram que as populações indígenas não apenas sofrem os impactos das mudanças climáticas, mas também guardam as chaves para a preservação da Amazônia.

“Os povos da floresta não são passado. São o futuro que o mundo precisa enxergar”, resume Francy Baniwa.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *