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População denuncia danos e riscos causados por mineradora em Craíbas

por | 6 maio, 2025

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Foto: Divulgação

Craíbas (AL) – Em meio à caatinga do Agreste alagoano, a tranquilidade de pequenos povoados deu lugar a explosões diárias, tremores de terra e o medo constante de um desastre ambiental. Desde que a Mineração Vale Verde (MVV) iniciou a exploração de cobre no município de Craíbas, em 2021, os relatos de danos estruturais em casas, rachaduras em escolas e impactos à saúde se multiplicam. A atividade, no entanto, é responsável por transformar Craíbas no maior exportador de Alagoas.

A operação, conhecida como Projeto Serrote, estima produzir 20 mil toneladas anuais de cobre contido em concentrado. O produto é exportado principalmente para a China, que passou a controlar a mina em março de 2025, após a aquisição da MVV pela estatal Baiyin Nonferrous por cerca de US$ 500 milhões. O cobre extraído é essencial para a transição energética e a indústria de tecnologia chinesa, setores que exigem grandes volumes do mineral.

Economia em alta, medo em expansão

Os resultados econômicos são expressivos. Em 2024, Craíbas arrecadou mais de R$ 20 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), valor que representa mais de 97% da arrecadação de todo o estado. No entanto, esse crescimento não é sentido por todos da mesma forma.

“Minha casa trincou inteira. Cada explosão faz a gente se agarrar com Deus”, conta dona Maria do Carmo, moradora do povoado Folha Miúda, um dos mais afetados pela mineração. O local está a menos de 300 metros da barragem de rejeitos da MVV, construída para armazenar os resíduos da produção. Rachaduras em paredes, afundamento de piso e poeira constante são parte da rotina.

Entre 2015 e 2020, apenas três eventos sísmicos foram registrados na região, segundo a Defesa Civil de Arapiraca. Após o início da mineração, de 2021 a 2023, o número saltou para 41. A frequência dos tremores preocupa geólogos e motivou ações judiciais.

Foto: Arquivo

Ações judiciais e pressão ambiental

Em setembro de 2024, a Defensoria Pública da União ingressou com ação civil pública exigindo monitoramento sísmico independente, reparação aos danos nas residências e avaliação do impacto ambiental na região. O Ministério Público Federal também acompanha o caso. Técnicos visitaram a mina e mantêm diálogo com as comunidades afetadas.

As denúncias incluem ainda possíveis contaminações de riachos por metais pesados, já identificadas em relatórios do Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Alagoas. A situação levou o órgão a intensificar a fiscalização sobre a barragem e exigir novos estudos de impacto.

A MVV alega que cumpre todas as exigências ambientais e que os tremores não são provocados exclusivamente pelas atividades da mina. A empresa afirma manter canais de diálogo com as comunidades e programas de compensação.

Um futuro incerto

Com a venda para o grupo chinês, moradores temem que o distanciamento do novo controlador agrave a falta de diálogo. “O que a gente vê é o minério indo embora, a riqueza indo embora, e a gente ficando aqui com as rachaduras e o medo”, resume o agricultor João Batista, de 58 anos.

Enquanto os indicadores econômicos impulsionam Alagoas no cenário da exportação mineral, a população de Craíbas convive com um dilema: crescer a qualquer custo ou buscar um modelo que respeite o território e a vida de quem o habita.

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