O Ministério Público de Alagoas (MPAL) ofereceu denúncia à Justiça e solicitou o afastamento imediato de seis policiais militares acusados de torturar e provocar a morte de Rogério Almir Santos, de 32 anos, no município de Santana do Ipanema, no Sertão alagoano. A denúncia foi formalizada em julho de 2025, após a viúva da vítima tornar o caso público nas redes sociais.
Segundo o MPAL, as provas reunidas durante a investigação indicam que Rogério morreu em decorrência de broncoaspiração de sangue, provocada por trauma contuso, sobretudo nas regiões cervical e torácica. O laudo pericial produzido após a análise do corpo apontou hemorragia em tecidos moles, hematomas e escoriações, sem qualquer indício de uso de arma branca. Para o Ministério Público, os achados são compatíveis com agressões físicas reiteradas.
O exame realizado no local do crime identificou sangue humano no piso da cozinha, além de sinais de arrombamento e desorganização no interior da residência. De acordo com o MP-AL, os laudos periciais e o exame de corpo de delito reforçam a acusação de que a vítima foi submetida a tortura.
Pedido de afastamento
No pedido de afastamento das funções, o Ministério Público destacou a gravidade das condutas atribuídas aos policiais e a incompatibilidade dos fatos narrados com o exercício da atividade policial.
“Tal medida revela-se imprescindível para resguardar a ordem pública, evitar o risco de reiteração delitiva e garantir a incolumidade de testemunhas e vítimas até o deslinde do processo”, afirmou o órgão nos autos.
Ainda conforme a denúncia, os policiais atuavam em uma operação da COPES/CAATINGA, realizada dentro da residência da vítima, com o objetivo de obter informações relacionadas ao tráfico de drogas na região, circunstância que, segundo o MPAL, teria motivado as agressões.
Policiais denunciados
Foram denunciados os policiais militares Ulisses de Souza, Lucas Cruz, José Jeferson Pereira, Pablo Victor, Renan Vitor e John Felipe Rocha. Além do crime de tortura, a denúncia associa as agressões diretamente à morte de Rogério, com base em laudos periciais e nos elementos técnicos colhidos durante a investigação.
A versão apresentada pelos policiais, de que a vítima teria passado mal e caído, foi contraditada pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML). O exame concluiu que a morte ocorreu por asfixia decorrente da aspiração de sangue, provocada por lesões internas no pescoço e no tórax, consideradas compatíveis com práticas de tortura.
Denúncia pública
O caso ganhou ampla repercussão após a viúva da vítima, identificada apenas como Arielle, utilizar as redes sociais para denunciar que o marido teria sido torturado e morto dentro da própria residência por homens que se identificaram como policiais militares. Em vídeo divulgado na internet, ela relatou que Rogério teria sido submetido a choques elétricos e espancamentos. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi decorrente de espancamento.





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