A instalação Salgema Indústrias Químicas S/A na restinga do Pontal da Barra, em Maceió, em meados da década de 70, foi uma decisão da ditadura militar. Em 1974, é construída a fábrica de cloro-soda. A produção comercial tem início em 1977 e a unidade de dicloretano (DCE) foi inaugurada em 1979.
A decisão tomada pelos militares e acatada pelo governo de Alagoas ocorreu diante da contestação técnica feita pelo professor José Geraldo Marques, coordenador estadual do Meio Ambiente, atual Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (Ima/AL).
Naquela época, José Geraldo já alertava para os perigos que a população residente nos bairros do Pontal da Barra, Trapiche da Barra e adjacências corriam em caso de acidente. A alternativa encontrada pelos defensores da Salgema foi demitir o funcionário.
A Salgema operou até 1996, quando a Trikem assume o controle e se funde com outras empresas e surge a Braskem, que incorporou as operações existentes em Maceió.
A trajetória de exploração mineral ilimitada contou a colaboração dos governos federal, estadual e municipal, é uma longa história de acidentes que provocaram mortes de trabalhadores, mutilações e doenças adquiridas que causaram sequelas permanentes nas vítimas.
Mais uma vez, o pânico atingiu a população do Pontal da Barra no último dia 5, provocado pelo alarme de sirenes que funciona como alerta em caso de acidente para que os moradores evacuem o bairro. Esse não foi o primeiro incidente onde o alarme é acionado sem que, segundo a Braskem, tenha acontecido acidente.
A população, que vive sob tensão permanente no bairro, desconfia da empresa. A mineradora se relaciona com a população do bairro através de ações pontuais e, principalmente, através de propaganda onde passa a ideia de segurança e integração entre população e indústria.
A assessoria da Braskem fez contato com os alguns moradores por meio de grupos no Whatsapp, pediu a colaboração das lideranças cadastradas pedindo calma e que não havia acontecido acidente, mas o disparo “acidental” da sirene.
Terror e pânico
A destruição de cinco bairros em Maceió é um dos resultados da mineração de sal-gema durante mais de quatro décadas. Desde a instalação e, principalmente, quando a indústria iniciou a produção, os bairros do Pontal e Trapiche da Barra sofreram os impactos com os acidentes que desvalorizaram os imóveis e impediram o crescimento dos bairros da Zona Sul da Maceió.
A agonia da população residente no entorno da Braskem é de insegurança e de desconfiança da empresa. O silêncio feito diante das constantes ameaças à cidade e a população tem sido historicamente o comportamento das autoridades.
Nota da Braskem:
A Braskem informa que o teste das sirenes de alarme é realizado toda quarta-feira para as comunidades do entorno da Unidade do Pontal da Barra. No teste realizado na manhã de hoje (5), houve uma desconfiguração no teor da mensagem enviada que já foi corrigida.
Informamos ainda que já entramos em contato com as comunidades, por meio do Conselho Consultivo Comunitário (CCC) para informa-los do equívoco. A Braskem reforça que mantem constante comunicação com as comunidades e autoridades através de reuniões regulares do Programa APELL (Alerta e Preparação das Comunidades para Emergências Locais).








0 comentários