terça-feira, 28 julho 2026
Chuva leve
Maceió
24°C
Chuva leve
Chuva leve
Maceió
24°C
Chuva leve

Defensoria Pública propõe parceria com réu por falsidade ideológica no caso Braskem

por | 31 jan, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Reprodução

Por Geraldo de Majella*

O coordenador-geral da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, passou à condição de réu em um processo por crime de falsidade ideológica, após o recebimento da denúncia pela Justiça. A ação judicial decorre de uma representação feita pela Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), por meio do defensor público Ricardo Melro, após a constatação de que um relatório já pronto, contendo informações sobre áreas de risco, foi omitido quando a Defesa Civil respondeu a um pedido oficial em novembro de 2023. Abelardo Nobre terá audiência de instrução e julgamento marcada para março de 2026.

A Defensoria Pública de Alagoas encontra-se cindida entre duas correntes. De um lado, o defensor público Ricardo Melro e outros defensores que vêm se dedicando, como nenhum outro grupo de servidores públicos, à defesa de cerca de 60 mil vítimas dos crimes perpetrados pela Braskem. Esse trabalho institucional tem ido além do estritamente formal, marcado por dedicação, empatia e atenção ao sofrimento individual e coletivo das vítimas do que é reconhecido como o maior desastre ambiental urbano do Brasil.

De outro lado, causa perplexidade o comportamento de uma ala da própria DPE/AL diante desse mesmo cenário. Enquanto milhares de famílias seguem lutando por justiça e pela reparação de direitos sistematicamente negados, a cidade convive com uma Defesa Civil cujo coordenador responde como réu por mentir no contexto do caso Braskem.

Para surpresa das milhares de vítimas e dos movimentos que atuam na luta por justiça, na quinta-feira, dia 29, o réu foi convidado pelo coordenador da proteção coletiva para estabelecer uma parceria entre a DPE/AL e a Defesa Civil de Maceió.

O episódio expõe um constrangimento institucional que não pode ser ignorado. Em um dos maiores desastres socioambientais do país, a coerência, a credibilidade e o compromisso com as vítimas deveriam ser valores inegociáveis. Qualquer gesto que relativize esses princípios aprofunda a dor, a desconfiança e o sentimento de abandono de quem já perdeu casa, território e saúde. São famílias enlutadas por mortes provocadas pelos crimes, incluindo mais de 17 suicídios.

É pertinente perguntar: a quem interessa essa parceria?

*Historiador e jornalista

 

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *