Mais de 50% dos resíduos sólidos urbanos destinados ao aterro sanitário de Maceió são compostos por matéria orgânica. O dado faz parte de um estudo realizado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio de pesquisadores do Centro de Tecnologia (Ctec), em parceria com a Orizon, empresa responsável pela operação do aterro da capital.
A pesquisa, coordenada pelas professoras Nélia Callado e Daysy Lira, contou com a participação de estudantes dos cursos de Engenharia Ambiental e Engenharia Civil e foi desenvolvida ao longo de 2025. O levantamento também teve diálogo institucional com a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (Alurb), interessada nos dados para aperfeiçoar a gestão dos resíduos no município.
Ao longo do estudo foram realizadas quatro campanhas de caracterização dos resíduos, duas durante o período chuvoso, nos meses de abril e julho, e duas durante a estação seca, em setembro e dezembro. Mais de cem análises foram feitas no próprio aterro, com amostras coletadas em bairros que representam pelo menos 60% da população de cada região administrativa da cidade.
Os resultados apontam que a matéria orgânica corresponde, em média, a 54,6% dos resíduos enviados ao aterro. Os plásticos aparecem na segunda posição, com 21,3%, seguidos por papéis, com 8,9%, e pela categoria “outros”, com 8,5%. Têxteis representam 4,6%, enquanto vidro e metais correspondem a 1,2% e 1%, respectivamente.
Segundo a professora Nélia Callado, a Região Administrativa 2 apresenta o maior percentual de matéria orgânica. Já a Região Administrativa 6 registra maior presença de materiais recicláveis. Considerando o impacto populacional, a Região Administrativa 7 foi identificada como a que mais contribui para o volume de matéria orgânica e recicláveis destinados ao aterro.
“Individualmente, a região administrativa 2 é a que apresenta maior percentual de matéria orgânica, enquanto a RA6 apresenta maior percentual de recicláveis. Mas a análise em função da população mostra que quem contribui com maior percentual de matéria orgânica e recicláveis é a RA7”, explicou.
O levantamento também revelou que aproximadamente 32,4% do lixo produzido na capital possui potencial para reciclagem, considerando materiais como vidro, metais, plásticos e papel.
A análise identificou ainda diferenças entre períodos seco e chuvoso. Nos meses de estiagem, a matéria orgânica chegou a representar 58,8% dos resíduos coletados, enquanto no período chuvoso esse índice caiu para 50,4%. Já a categoria “outros” registrou aumento, passando de 5,8% para 11,1%.
Para a coordenadora do estudo, os dados podem auxiliar no planejamento da coleta seletiva e na adoção de estratégias mais eficientes para o gerenciamento de resíduos na cidade.
“Esse é um trabalho árduo e de relevante importância para a gestão dos resíduos sólidos de Maceió”, destacou a professora.
Além da análise física dos resíduos, pesquisadores também realizaram testes laboratoriais da fração orgânica no Laboratório de Saneamento Ambiental do Ctec. O relatório final foi entregue à empresa responsável pela operação do aterro e traz informações detalhadas por bairros e regiões administrativas da capital.







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