O novo projeto de urbanização do Porto de Maceió, o Passeio do Porto, atualmente em fase de conclusão, será um espaço de lazer e turismo idealizado pelo prefeito João Henrique Caldas (JHC), mas esconde perigos para a população.
Apesar de suas ciclovias, decks panorâmicos, academias ao ar livre e playgrounds, a obra está sendo construída lado a lado com dutos inflamáveis e tanques de combustíveis, onde estão estocados milhões de litros de gasolina e gás para aviação.
Segundo especialistas ouvidos pelo 082 Notícias, a proximidade entre o Passeio do Porto e os tanques da empresa Ipiranga, atual administradora do pool de empresas que operam no Porto, aumenta significativamente os riscos de acidentes graves. A área de carregamento de combustíveis, incluindo locais anteriormente administrados pela Atlantic, Shell, Petrobras e atualmente pela Ipiranga, foi considerada de alto risco pelos Bombeiros e pelas empresas.
“A proximidade desses compartimentos de armazenamento de combustível com essa obra vai aumentar ainda mais os riscos de um sinistro. Não há proteção entre o Passeio do Porto e os dutos de combustíveis. É uma irresponsabilidade”, declarou a fonte.
O projeto, que se estende por 1,5 km conectando a orla da Praia de Pajuçara ao Porto de Maceió, foi amplamente divulgado pelo prefeito em imagens de drone. No entanto, o vídeo de propaganda da obra e da gestão não evidencia a gravidade dos riscos, escondendo as áreas mais perigosas. A obra foi construída com cessão da área pela administração do Porto de Maceió à Prefeitura, sem que estudos técnicos públicos sobre segurança fossem divulgados.
O professor e arquiteto urbanista Dilson Ferreira, da UFAL, tem denunciado os riscos do Passeio do Porto em artigos e entrevistas, alertando para a vulnerabilidade da obra. Apesar disso, o Ministério Público Federal e os órgãos ambientais ainda não se manifestaram oficialmente sobre o caso.
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O Passeio do Porto, com paisagismo diversificado, mirantes, espaços interativos e áreas de lazer, poderia ser um marco de urbanização para Maceió se não estivesse construído em uma das áreas mais perigosas da cidade. Especialistas alertam que a responsabilidade pelo risco recai diretamente sobre a Prefeitura e a administração do Porto de Maceió.
Diante da situação, perguntas importantes permanecem sem respostas:
• A administração do Porto de Maceió deveria se pronunciar sobre se a obra atende ao Plano Diretor Portuário.
• Como foram avaliados os riscos da obra e qual foi o processo de negociação entre Porto e Prefeitura?
• Existe algum parecer da Autoridade Portuária aprovando o projeto?
• Quem, da Semurb e da administração do Porto, autorizou a obra?
• Onde estão a análise ambiental e o plano de mitigação de riscos da obra?
Esses questionamentos reforçam a necessidade de esclarecimento público sobre uma obra que, embora apresentada como “instagramável”, representa uma das áreas urbanas mais perigosas de Maceió.






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