A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no Aeroporto de Guarulhos, pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, lança uma sombra de incerteza sobre a gestão da Prefeitura de Maceió e coloca em xeque a estabilidade financeira de R$ 117 milhões investidos pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (Iprev).
A detenção de Vorcaro, que tentava deixar o país na noite dessa segunda-feira (17), ocorre em meio a uma investigação da PF sobre a emissão de títulos de crédito falsos e a possível fabricação de carteiras de crédito fraudulentas.
A notícia provocou a reação imediata do vereador Rui Palmeira (PSD), que já havia denunciado os investimentos do Iprev no Banco Master e agora exige explicações e responsabilização por parte da administração do prefeito João Henrique Caldas (JHC).
O foco da polêmica: R$ 117 milhões em risco
O cerne da crise reside na aplicação de R$ 117 milhões dos recursos de aposentados e pensionistas do Iprev em títulos que, segundo Palmeira, não possuíam Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Para agravar o cenário, a operação foi instruída pela consultoria Crédito & Mercado, uma empresa que já está sob investigação da PF por envolvimento em operações com as chamadas “letras podres”.
Rui Palmeira alertou que o prejuízo potencial impacta diretamente a vida dos maceioenses, colocando em risco a estabilidade financeira do fundo previdenciário municipal. A situação é ainda mais delicada considerando que, um dia antes da prisão de Vorcaro, a Fictor Holding Financeira havia anunciado a compra do Banco Master, o que pode complicar a recuperação dos ativos.
Cobrança por transparência e responsabilização
Diante do escândalo e da prisão de um dos pivôs das denúncias, a pressão política se intensifica sobre a gestão municipal. O questionamento central que ecoa nos corredores da Câmara Municipal e entre os servidores é: “E agora, JHC?”.
A Polícia Federal cumpre, no total, cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em diversos estados.
O prefeito JHC e a Prefeitura de Maceió têm a obrigação de se manifestarem sobre os procedimentos de due diligence adotados na escolha dos títulos e da consultoria, e, principalmente, sobre as medidas que serão tomadas para blindar e garantir a segurança dos milhões aplicados que garantem a aposentadoria dos servidores municipais.








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