A tragédia causada pela Braskem segue deixando um rastro de medo, insegurança e abandono em Maceió. Desta vez, o alerta veio de uma das áreas mais sensíveis da administração municipal: a sede da Secretaria Municipal de Educação (Semed), situada entre os bairros da Cambona e do Bom Parto — a poucos metros da chamada “área 00”, o epicentro do afundamento do solo provocado pelas atividades mineradoras da empresa.
A nova denúncia foi feita pelo defensor público Ricardo Melro em suas redes sociais, após uma inspeção presencial ao local junto a lideranças comunitárias e moradores. Segundo ele, a situação é alarmante. “A realidade insiste em gritar por socorro”, escreveu Melro. As imagens divulgadas mostram rachaduras em paredes, trincas no piso e sinais evidentes de afundamento do solo. Servidores relataram estar em pânico diante do que consideram uma bomba-relógio prestes a explodir.
Veja:
Ver essa foto no Instagram
De acordo com os relatos colhidos pela inspeção, reformas têm sido realizadas apenas para “maquiar” os danos, sem qualquer medida efetiva de segurança. “Painéis estão sendo colocados para esconder as rachaduras. É como se, se ninguém ver, ninguém vai sentir medo. Mas o medo já está dentro da gente”, disse um servidor, sob condição de anonimato.
O clima entre os trabalhadores é de tensão permanente. Muitos pedem realocação imediata, temendo pelo pior. “Eles estão com medo. E têm toda razão”, destacou Melro. Os responsáveis pela vistoria reforçaram que, embora o secretário de Educação não seja diretamente responsável pela condição estrutural do prédio, todos sabem quem é o verdadeiro culpado: a Braskem.
A empresa é amplamente responsabilizada pela tragédia que devastou bairros inteiros da capital alagoana, e agora ameaça também prédios públicos vitais para o funcionamento da cidade. “É inadmissível que, mesmo após anos do início do colapso, estruturas como essa sigam operando sob risco iminente. Isso não é gestão de crise, é exposição ao desastre”, afirmou uma liderança comunitária presente à inspeção.
O defensor público também dirigiu duras críticas ao Serviço Geológico do Brasil (SGB), que se recusa a atuar diretamente em Maceió. “Esse é o órgão que deveria ser nossa referência técnica. Mas está omisso. E por isso já está sendo acionado na Justiça. É revoltante que tenhamos que judicializar até o óbvio”, desabafou.
A denúncia reforça a necessidade de ações urgentes e transparentes por parte das autoridades. A permanência de servidores num prédio que apresenta sinais claros de comprometimento estrutural, em uma das áreas mais afetadas pelo desastre da Braskem, soa como negligência com consequências imprevisíveis.
“Se a realidade insiste em gritar por socorro, não são os gritos que devem ser calados – são os relatórios que precisam ser questionados. Não vamos parar”, concluiu Ricardo Melro em sua publicação.
Entenda o contexto
O prédio da SEMED está localizado a poucos metros da chamada “zona zero” do colapso geológico causado pela exploração de sal-gema pela Braskem, que já obrigou o deslocamento forçado de milhares de famílias e esvaziou bairros inteiros de Maceió. Especialistas alertam que os efeitos do afundamento continuam em expansão.








0 comentários