terça-feira, 28 julho 2026
Nublado
Maceió
24°C
Nublado
Nublado
Maceió
24°C
Nublado

“Servidores em risco”: prédio da Semed afunda próximo à zona de colapso da Braskem

por | 11 abr, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Prédio da Semed registra rachaduras | Reprodução/Instagram

A tragédia causada pela Braskem segue deixando um rastro de medo, insegurança e abandono em Maceió. Desta vez, o alerta veio de uma das áreas mais sensíveis da administração municipal: a sede da Secretaria Municipal de Educação (Semed), situada entre os bairros da Cambona e do Bom Parto — a poucos metros da chamada “área 00”, o epicentro do afundamento do solo provocado pelas atividades mineradoras da empresa.

A nova denúncia foi feita pelo defensor público Ricardo Melro em suas redes sociais, após uma inspeção presencial ao local junto a lideranças comunitárias e moradores. Segundo ele, a situação é alarmante. “A realidade insiste em gritar por socorro”, escreveu Melro. As imagens divulgadas mostram rachaduras em paredes, trincas no piso e sinais evidentes de afundamento do solo. Servidores relataram estar em pânico diante do que consideram uma bomba-relógio prestes a explodir.

Veja:

De acordo com os relatos colhidos pela inspeção, reformas têm sido realizadas apenas para “maquiar” os danos, sem qualquer medida efetiva de segurança. “Painéis estão sendo colocados para esconder as rachaduras. É como se, se ninguém ver, ninguém vai sentir medo. Mas o medo já está dentro da gente”, disse um servidor, sob condição de anonimato.

O clima entre os trabalhadores é de tensão permanente. Muitos pedem realocação imediata, temendo pelo pior. “Eles estão com medo. E têm toda razão”, destacou Melro. Os responsáveis pela vistoria reforçaram que, embora o secretário de Educação não seja diretamente responsável pela condição estrutural do prédio, todos sabem quem é o verdadeiro culpado: a Braskem.

A empresa é amplamente responsabilizada pela tragédia que devastou bairros inteiros da capital alagoana, e agora ameaça também prédios públicos vitais para o funcionamento da cidade. “É inadmissível que, mesmo após anos do início do colapso, estruturas como essa sigam operando sob risco iminente. Isso não é gestão de crise, é exposição ao desastre”, afirmou uma liderança comunitária presente à inspeção.

O defensor público também dirigiu duras críticas ao Serviço Geológico do Brasil (SGB), que se recusa a atuar diretamente em Maceió. “Esse é o órgão que deveria ser nossa referência técnica. Mas está omisso. E por isso já está sendo acionado na Justiça. É revoltante que tenhamos que judicializar até o óbvio”, desabafou.

Defensor fez inspeção do imóvel | Reprodução/Instagram

A denúncia reforça a necessidade de ações urgentes e transparentes por parte das autoridades. A permanência de servidores num prédio que apresenta sinais claros de comprometimento estrutural, em uma das áreas mais afetadas pelo desastre da Braskem, soa como negligência com consequências imprevisíveis.

“Se a realidade insiste em gritar por socorro, não são os gritos que devem ser calados – são os relatórios que precisam ser questionados. Não vamos parar”, concluiu Ricardo Melro em sua publicação.

Entenda o contexto

O prédio da SEMED está localizado a poucos metros da chamada “zona zero” do colapso geológico causado pela exploração de sal-gema pela Braskem, que já obrigou o deslocamento forçado de milhares de famílias e esvaziou bairros inteiros de Maceió. Especialistas alertam que os efeitos do afundamento continuam em expansão.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *