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A encruzilhada em que esbarram pai e filho, Calheiros

por | 2 dez, 2020

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A aliança de décadas foi desfeita,
Fotos: Divulgação

Do ponto de vista político, o governador Renan Filho e seu pai, senador Renan Calheiros, do MDB, são os principais derrotado nas eleições municipais em Alagoas. Eles perderam os dois principais colégios eleitorais do estado – Maceió e Arapiraca. Seus candidatos foram derrotados com larga diferença de votos.
Porém, pai e filho seguem no jogo, já que têm mandatos. Foram derrotados em Maceió, mas têm ainda 6 anos no Senado, o pai, e dois anos no governo do Estado, o filho.
Mas terão que enfrentar um problema maior: a derrota que sofreram em Arapiraca, o segundo maior colégio eleitoral de Alagoas. A vitória do vice-governador Luciano Barbosa naquele município, mesmo que ainda sub-júdice, abre uma enorme fenda no casco da embarcação.

Prestigiado por seus pares, Marcelo Vítor tem acordo para reeleger-se presidente da Assembleia Legislativa

O “buraco” no casco de nau calheirista foi aberto pelo vice, agora eleito prefeito de Arapiraca, que rompeu com os Calheiros em dezembro do ano passado, depois de mais de três décadas de amizade e alianças*.
Assim que for resolvida a pendência jurídico-eleitoral e garantida sua eleição, apesar de todos os esforços e obstáculos que enfrenta, Luciano terá que se desincompatibilizar para assumir como prefeito. Nesse caso, como é constitucionalmente previsto, o vice-governador legal será o presidente da Assembleia Legislativa. No caso concreto, o deputado Marcelo Vítor, atual presidente e, pasmem, antecipadamente reeleito.
O deputado Marcelo Vitor é aliado de Arthur Lira, candidato a presidente da Câmara dos Deputados com o presidente Jair Bolsonaro, leia-se a máquina pública federal, jogando a seu favor. Se chegar à presidência da Câmara dos Deputados, ou mesmo perdendo essa disputa, o deputado Arthur Lira, mantém a disposição de ser candidato a governador daqui a dois anos.
Aliás, já teve o nome lançado pelo sempre esperto senador Fernando Collor, o mais novo “amigo de infância” dele, Arthur Lira.
Esse é somente um dos cenários das tantas dificuldades que os Calheiros têm que enfrentar.

Prisões da filha e do genro, levaram Luciano Barbosa a romper amizade com os Calheiros

*Um “pote de mágoas”, Luciano Barbosa rompeu com os Calheiros em dezembro do ano passado, quando sua filha Lívia Barbosa de Almeida, foi presa preventivamente durante a Operação Florence “Dama da Lâmpada”, executada pela Polícia Federal (PF). A operação investigou fraudes, desvios de recursos e corrupção de agentes públicos, no governo de Renan Filho (MDB.
O esquema teria desviado mais de R$ 30 milhões destinados a serviços de Órtese, Prótese e Materiais Especiais (OPME). Segundo a PF, o marido de Lívia Barbosa, Pedro da Silva Margallo, genro do vice-governador, também estaria envolvido, e também foi preso.
De acordo com informações do delegado da PF, Jorge Eduardo Ferreira, Lívia Barbosa e Pedro Silva são sócios da empresa LP Ortopedia, que fornecia material para procedimentos de OPME sem licitação.

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