O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) demonstrou disposição em não disputar um novo mandato na Câmara dos Deputados em 2026, caso receba convite para compor o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada neste sábado (10) pela *Folha de S.Paulo* e confirmada por aliados do parlamentar.
Segundo interlocutores próximos, Boulos teria dito que sua prioridade é contribuir com a reeleição de Lula e que o PSOL tem condições de manter sua representação parlamentar mesmo sem sua candidatura. “Se for para ajudar o governo e o projeto político que representamos, estou disposto a contribuir de outra forma”, teria afirmado.
O nome de Boulos é cotado para assumir a Secretaria-Geral da Presidência, pasta atualmente ocupada por Márcio Macêdo. No entanto, qualquer decisão deve ser tomada somente após o retorno de Lula de viagem oficial à China.
Um dos entraves à nomeação é a preocupação do presidente em evitar indicar figuras com pretensões eleitorais em 2026. A legislação obriga ministros a se desincompatibilizar seis meses antes do pleito, e a expectativa é de que cerca de 20 integrantes da Esplanada deixem os cargos para disputar eleições. Nesse cenário, Lula procura nomes que possam permanecer até o fim do mandato — o que Boulos já teria sinalizado estar disposto a fazer.
Coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Boulos é uma das principais lideranças dos movimentos sociais e tem forte presença nas redes sociais. Sua entrada no governo poderia reforçar o vínculo com a base popular e fortalecer o discurso da gestão Lula diante das incertezas em relação à fidelidade de partidos do centrão.
Nas eleições municipais de 2024, Boulos teve apoio direto de Lula em sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. O presidente articulou pessoalmente a aliança entre PSOL e PT, com a ex-prefeita Marta Suplicy como vice da chapa. Apesar do esforço, Boulos foi derrotado no segundo turno por Ricardo Nunes (MDB), apoiado pela base bolsonarista.
A definição sobre sua eventual entrada no governo deve ocorrer até o meio do ano, conforme evoluírem as conversas políticas no Planalto.






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