Mais de nove décadas depois de ingressar na Escola Politécnica para estudar Engenharia Civil, Carlos Marighella recebeu, nesta sexta-feira (21), o título simbólico de engenheiro concedido pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A homenagem recupera um capítulo pouco lembrado da trajetória de Marighella: o período em que foi estudante da universidade, antes de sua militância política e da perseguição durante a ditadura militar mudarem os rumos de sua vida.
O reconhecimento foi recebido por sua neta, Maria Marighella, atriz, ex-presidenta da Funarte e candidata a deputada federal pelo PT. Para ela, a homenagem representa também o reconhecimento, pela universidade, da história de um antigo estudante que se tornou uma das principais figuras da resistência à ditadura brasileira.
Marighella ingressou na Escola Politécnica ainda jovem. O ambiente universitário coincidiu com o início de sua militância política e com o contato mais intenso com as desigualdades sociais. Segundo Maria, o avô questionava como poderia exercer a profissão de engenheiro diante de uma realidade em que tantas pessoas enfrentavam a fome.
A formação acadêmica acabou interrompida pelas perseguições e prisões políticas. Anos depois, Marighella seria deputado constituinte pela Bahia e se tornaria um dos principais dirigentes da resistência ao regime militar instaurado em 1964.
Perseguido pela ditadura e classificado pelos órgãos de repressão como “inimigo número um”, foi assassinado por agentes da repressão em 1969.
Ao receber a homenagem, Maria ressaltou que a trajetória do avô não se resume à atuação política. Marighella também foi poeta, parlamentar, dirigente partidário e escritor.
“Marighella não foi apenas um revolucionário baiano. Foi poeta, parlamentar, dirigente partidário, um comunista, um baiano, um brasileiro”, afirmou.
A cerimônia também foi marcada por uma defesa do papel da universidade como espaço de pensamento, liberdade e transformação social. Maria falou sobre a necessidade de preservar a capacidade de sonhar e de construir um país baseado em justiça, igualdade e liberdade.
O título simbólico devolve Marighella, de forma póstuma, à Escola Politécnica onde começou seus estudos. Mais de 90 anos depois de sua entrada na instituição, a universidade reconhece também o estudante que existiu antes de o militante revolucionário se tornar uma das figuras mais conhecidas da resistência à ditadura.






0 comentários