O ex-ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, foi preso temporariamente na manhã do dia 13 de junho de 2025, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi motivada por suspeitas de que ele tentou ajudar o tenente-coronel Mauro Cid, a obter um passaporte português — uma manobra que poderia facilitar a fuga de Cid do país e atrapalhar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
A prisão ocorreu no âmbito do inquérito que apura a articulação de um golpe de Estado pelo núcleo político e militar ligado a Jair Bolsonaro. Gilson Machado, segundo a delação do próprio Mauro Cid, era um dos mais entusiásticos defensores da ruptura institucional.
Ainda na noite do mesmo dia, o ex-ministro foi solto, mas passou a cumprir medidas cautelares rigorosas, determinadas pelo STF:
- Teve o passaporte apreendido e cancelado;
- Está proibido de deixar o país sem autorização judicial;
- Não pode manter contato com outros investigados no inquérito;
- Deve comunicar qualquer mudança de endereço;
- E precisa comparecer quinzenalmente à Justiça.
De sanfoneiro a operador político
Veterinário, empresário e músico, Gilson Machado foi nomeado presidente da Embratur por Bolsonaro e, depois, ministro do Turismo. Porém, seu protagonismo político foi além do cargo. Em dezembro de 2023, hospedou Jair Bolsonaro em sua pousada de luxo Villas Taturé, no litoral Norte de Alagoas, onde o ex-presidente chegou a tocar sanfona em evento privado. Bolsonaro retornou ao local em outras ocasiões, consolidando Machado como anfitrião privilegiado do bolsonarismo em Alagoas.
O inimigo do meio ambiente
A relação de Gilson Machado com o poder também se fez notar no desrespeito às normas ambientais. Em 2016, sua pousada foi multada pelo ICMBio por construir bangalôs em área de preservação sem licenciamento. A multa acabou anulada, mas, anos depois, em 2019, servidores do órgão foram transferidos, o que foi interpretado como retaliação política por manterem a fiscalização.
Além disso, segundo reportagem do portal Metrópoles, também em 2023, a pousada Villas Taturé operava sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) — uma exigência legal básica para funcionamento de hospedagens. Mesmo assim, o local foi palco de recepção ao ex-presidente.
Investigado entre réus
Diferente de outros ex-ministros bolsonaristas — como Anderson Torres, Walter Braga Netto e Augusto Heleno, que já são réus em ações penais por tentativa de golpe —, Gilson Machado ainda não foi denunciado formalmente, mas está sob investigação da Polícia Federal, apontado como parte ativa do núcleo golpista.
Um símbolo da mistura entre público e privado
A trajetória de Gilson Machado ilustra bem o modelo de poder bolsonarista: mistura favores pessoais, patrimonialismo e abuso institucional, com desprezo por regras básicas de convivência democrática. Ao transformar sua pousada em palco político e perseguir fiscais ambientais, ele encarna uma lógica que coloca o interesse privado acima do público — e agora começa a enfrentar as consequências.






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