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Compromisso com a História: Majella fala sobre política, militância e memória

por | 18 maio, 2025

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Foto: Divulgação

Por Gabriela Oliveira

Geraldo de Majella é historiador e jornalista, nascido na cidade de Anadia, em Alagoas, com 64 anos. Filho de uma professora da rede pública estadual e de um comerciante dono de farmácia, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a política, a cultura e os direitos humanos.

Atuou por mais de quatro décadas como militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB), com uma brevíssima passagem pelo PDT. Ao longo de sua vida intelectual, publicou doze livros e organizou outros quatro, sempre atento às questões sociais e à história da esquerda alagoana.

É ativista dos direitos humanos desde a adolescência, faz parte do Comitê Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia de Alagoas. Majella é também torcedor apaixonado do Clube de Regatas Brasil (CRB), do São Paulo Futebol Clube e do Clube de Regatas Vasco da Gama. É membro da Academia Anadiense de Letras e Artes.

Atualmente, se define como “um comunista autônomo” e dedica-se à pesquisa sobre a história do PCB e da esquerda alagoana — trabalho iniciado em 1980, quando ingressou no curso de História do Cesmac.

082 – Como surgiu seu interesse pela política?
Majella: Meu pai era político, vereador em Anadia, e a atividade política fazia parte do cotidiano da minha casa e dos amigos dele. Esse foi o ponto de partida. O ponto de chegada foi que um dos amigos do meu pai, Sebastião Barbosa de Araújo (Betinho), que era comunista, chamou minha atenção para as leituras e me iniciou no marxismo — um caminho que nunca abandonei.

082 – Por que você escolheu o curso de História? Foi a sua primeira opção ou chegou a considerar outro curso?
Majella: Meu desejo inicial era estudar Sociologia, mas como não existia esse curso na Ufal, eu teria que ir para Recife, e minha família não tinha condições de arcar com minha manutenção. Em 1979, comecei a trabalhar e optei por cursar História no turno da noite, no Cesmac. Hoje vejo que essa foi a melhor escolha para a minha vida.

082 – O movimento estudantil ganhou força na segunda metade da década de 1970. Como você enxerga aquele momento?
Majella: A repressão política havia desarticulado o Movimento Estudantil (ME) em 1973. Muitas prisões de estudantes foram efetuadas, torturas, uma desgraça. O ME ficou desarticulado, perdeu força — e era natural que isso ocorresse com a repressão. A retomada ocorre aos poucos, com eleições de diretórios acadêmicos e, depois, do DCE (Diretório Central dos Estudantes), a partir de 1977/78. Ênio Lins, Edberto Ticianelli, Maurício Macedo, Aldo Rebelo, Júlio Bandeira, Sérgio Moreira, Taís Normande, Régis Cavalcante, Renan Calheiros, Thomaz Beltrão, Lauro Pedrosa — e muitas outras lideranças — estiveram à frente do trabalho de reorganização do ME.

Eu era, nessa época, estudante secundarista, estudava no Colégio Guido de Fontgalland. Fiz parte da Comissão de Reorganização da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA), que havia sido fechada, creio, quando entrou em vigor o AI-5. Éramos, inicialmente, cerca de sete ou oito moicanos: Apolinário Rebelo, José Miguel Correia, Eunidice Lins (Nide Lins), Hergenio (Galeguinho) Ticianelli, Vitor Palmeira, Pedro Fidelis e eu. Havia outros companheiros — a memória não ajuda.

Cada um de nós representava um grêmio estudantil: Colégio Guido, Moreira e Silva, Estadual, Sagrada Família, Marista.

082 – Seu envolvimento com a militância política no PCB e no movimento estudantil (ME) acabou prejudicando seus estudos em História?
Majella: Não atrapalhou em absolutamente nada. O ME e a militância no PCB serviram, no meu caso em particular, como cursos avançados em política. O que aprendi nessa época tenho usado nas minhas pesquisas e na vida. Busco sempre as fontes que conheci nesse período e nos anos que se seguiram. Por iniciativa própria, organizei um acervo documental sobre os comunistas e a esquerda de Alagoas.

O fato de ter convivido com muitos pesquisadores e acadêmicos que estavam na militância política em Alagoas — e, principalmente, com os que, de vários estados, militavam no PCB e com quem passei a manter contatos regulares — me ajudou bastante a consolidar o meu trabalho como pesquisador.

082 – O livro A Voz do Povo, que será lançado no dia 19 de maio, é o último que você dedica ao PCB de Alagoas?
Majella: Não. Tenho material com escrita em andamento sobre a história do PCB em Alagoas, desde a fundação, em 1924, até o término, em 1992. Tenho também um dicionário dos comunistas de Alagoas em andamento — são mais de quatrocentos verbetes até o momento. Espero ter tempo — e vida lúcida, é o que importa — para concluir esses projetos.

A Voz do Povo é um livro que me custou muito tempo de trabalho, incluindo pesquisas em arquivos de outros estados. Este livro, assim como o trabalho acadêmico que vários professores têm desenvolvido nas duas universidades públicas de Alagoas — Ufal e Uneal —, são valiosos para a memória operária e da esquerda, no sentido mais amplo possível, que abarca desde os comunistas até o PT e as correntes cristãs de esquerda. Afinal, é um dever moral e ético dos comunistas e da esquerda falar sobre sua história, com erros e acertos, e aprender a preservar sua memória.

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