
O Deputado Bruno Araujo profere o voto que garante a autorizacao do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no plenário da Câmara dos Deputados. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O dia 17 de abril de 2016 entrou para a história política do Brasil como a votação que autorizou a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Dez anos depois, o episódio é lembrado não apenas pelo resultado – 367 votos a favor, 137 contra e sete abstenções -, mas pelo tom das manifestações no plenário da Câmara dos Deputados, marcado por ataques pessoais e discursos de ódio.
Com transmissão em rede nacional, parlamentares justificaram seus votos em declarações que extrapolaram o debate político. Um dos casos mais emblemáticos foi o do então deputado Jair Bolsonaro, que dedicou seu voto ao militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador durante a ditadura – período em que a própria Dilma foi presa e torturada.
A votação ocorreu em um ambiente de forte polarização política e social. O processo, diferente do impeachment de Fernando Collor em 1992, chegou até o fim e resultou no afastamento definitivo da presidente em 31 de agosto daquele ano.
Segundo reportagem da Agência Pública, o ex-deputado Jean Wyllys afirma que a sessão foi conduzida como um “espetáculo político”, com elementos que teriam reforçado a exposição pública e a humilhação da presidente.
“Não bastava tirar a Dilma do poder, era preciso um ritual de humilhação. O componente da misoginia foi imprescindível”, afirmou Wyllys em entrevista.
Ele também relatou mudanças na dinâmica tradicional de votação no plenário, atribuídas ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundo o ex-parlamentar, foi instalada uma passarela central que obrigava deputados a se deslocarem até um ponto visível para declarar seus votos.
“Ele montou um cenário para que você desfilasse e fosse lá na frente para dar o voto”, disse.
O clima de tensão também marcou episódios paralelos. Wyllys relembrou o momento em que reagiu a ofensas homofóbicas de Bolsonaro com uma cusparada, episódio que ganhou repercussão nacional e foi seguido por ameaças, levando-o anos depois a renunciar ao mandato.
Ainda de acordo com a reportagem, o contexto político da época foi influenciado por manifestações iniciadas em 2013 e pela ascensão de movimentos de direita nas ruas. Para Wyllys, houve também confusão entre investigações da Operação Lava Jato e a avaliação do governo Dilma, além de forte presença de discursos misóginos.
Dez anos depois, o episódio segue como um dos marcos mais controversos da política recente brasileira, com impactos que, segundo analistas e protagonistas, ainda reverberam no cenário institucional e eleitoral do país.







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