sábado, 04 julho 2026
Céu limpo
Maceió
26°C
Céu limpo
Céu limpo
Maceió
26°C
Céu limpo

Eleições sem ideias: o vazio que domina o debate político

por | 19 mar, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Reprodução

Por Geraldo de Majella*

Uma década pode parecer pouco tempo, mas foi suficiente para transformar profundamente as campanhas eleitorais. As redes sociais, como ferramentas tecnológicas, passaram a ocupar papel central na comunicação política. Essa mudança, no entanto, vai além das eleições e alcança o cotidiano das pessoas.

Nesse ambiente, as plataformas digitais são tratadas de forma ambígua. Enquanto alguns as responsabilizam pela piora do debate público, outros as celebram como instrumentos de democratização. Entre esses polos, partidos utilizam esses recursos sem estratégia consistente ou compromisso com qualidade.

A sete meses das eleições, chama atenção a ausência de discussões sobre projetos de país. No plano estadual, o cenário é semelhante, com pouca visibilidade para propostas concretas. O debate público perde profundidade e cede espaço a narrativas superficiais, o que, na prática, se traduz em não conteúdo.

Programas de governo deixaram de mobilizar intelectuais, lideranças políticas e representantes da sociedade. Mesmo entre sindicatos e setores empresariais, o interesse parece reduzido. Nas candidaturas majoritárias, a ausência de debate é ainda mais evidente. As campanhas são entregues às empresas de marketing político.

Nas disputas proporcionais, predominam as relações tradicionais do varejo eleitoral. A lógica imediatista se sobrepõe à construção programática capaz de orientar candidatos e militantes. As propostas surgem sem densidade e desconectadas das demandas reais da sociedade.

Além disso, cresce a terceirização da formulação de propostas. Consultores e ferramentas automatizadas passam a ocupar espaço antes destinado ao debate político. Esse processo enfraquece a construção coletiva e empobrece o conteúdo apresentado.

O resultado é um processo eleitoral marcado pela perda de densidade. A cada ciclo, o nível das discussões se reduz de forma preocupante. O debate ultrapassa o limite do razoável e se aproxima da indigência intelectual.

O que tem se sobressaído são os “lacradores” de redes sociais e o discurso de ódio. Os políticos que têm se insurgido contra essa maré são poucos, mas têm conseguido, ainda que com dificuldade, romper o cerco da mediocridade.

*Historiador e jornalista

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *