O ex-aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, afirmou que o ex-deputado federal mantinha R$ 250 mil em um cofre instalado em seu antigo gabinete na Câmara dos Deputados. Segundo ele, os recursos teriam origem em um suposto esquema de devolução de parte dos salários de assessores, prática conhecida como “rachadinha”.
As declarações foram dadas em entrevista ao ICL Notícias. Junqueira também afirmou que a maior parte do dinheiro teria sido utilizada por Eduardo Bolsonaro para dar entrada na compra de um apartamento no Rio de Janeiro.
De acordo com o ex-aliado, ele tomou conhecimento da existência do cofre em 2018, durante uma conversa com a então assessora de Eduardo Bolsonaro, Sonaira Fernandes, e com o então assessor Gil Diniz.
“Duda tinha dois [funcionários] no gabinete que ganhavam cheio e devolviam a metade. Nós tínhamos um cofre no gabinete e pegávamos essa metade e colocávamos no cofre. Juntou R$ 250 mil. Um belo dia, o Duda passou a mão nesses R$ 250 mil para dar de entrada no apartamento”, afirmou Junqueira.
Ele também disse que o dinheiro do suposto esquema era administrado por um assessor identificado como Eric de Castro Roma e relatou ter entregue R$ 3 mil em espécie a Gil Diniz durante o período eleitoral de 2018.
“Eu estava com o Eduardo e, no outro dia, ia encontrar o Gil. O Eduardo me deu R$ 3 mil para entregar a ele. O Gil foi exonerado, mas continuou recebendo no rateio do gabinete”, declarou.
Compra de imóveis
As novas acusações fazem referência à compra de imóveis por Eduardo Bolsonaro que já havia sido alvo de reportagens publicadas em 2020. Na ocasião, foi revelado que o então deputado utilizou pagamentos em dinheiro vivo na aquisição de dois apartamentos no Rio de Janeiro.
Em um dos casos, a escritura registra o pagamento de R$ 100 mil em espécie durante a compra de um imóvel em Botafogo, em 2016. Em outro, referente a um apartamento em Copacabana adquirido em 2011, consta o pagamento de R$ 50 mil em dinheiro.
Em 2022, Eduardo Bolsonaro confirmou ter utilizado dinheiro em espécie na compra do imóvel em Copacabana, afirmando que o valor era compatível com sua renda e que a operação foi devidamente registrada em escritura pública.
Arquivamento e posicionamentos
Em 2020, a Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração preliminar sobre a aquisição dos imóveis, mas arquivou o procedimento sem a realização de diligências.
Segundo o ICL Notícias, Eduardo Bolsonaro e Sonaira Fernandes foram procurados para comentar as novas acusações, mas não responderam. Gil Diniz afirmou que desconhece a existência de um cofre no gabinete, mas não respondeu ao questionamento sobre o recebimento de dinheiro em espécie durante a campanha de 2018.
Junqueira já havia denunciado, em 2019, um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Gil Diniz na Assembleia Legislativa de São Paulo. O caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo por falta de provas que demonstrassem o repasse dos valores ao parlamentar, embora a investigação tenha apontado indícios de saques em dinheiro por assessores em datas próximas ao pagamento dos salários.








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