Por Geraldo de Majella*
A Unidade Popular (UP) apresenta o nome do professor Alexandre Fleming como pré-candidato ao Senado em Alagoas. Trata-se de uma candidatura com clara marca ideológica, ligada à militância de esquerda. Servidor público federal, ele é professor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL).
A Unidade Popular é um partido que obteve registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 10 de dezembro de 2019. A legenda não dispõe de fundo partidário nem de tempo de televisão, fatores considerados essenciais para a estruturação de uma campanha eleitoral minimamente competitiva.
Fleming, em 2012, então filiado ao PSOL, foi candidato a prefeito de Maceió, obtendo 5,13% dos votos, o equivalente a 20.561 eleitores. Quatorze anos depois, agora filiado à UP, volta a disputar uma eleição, desta vez como candidato ao Senado.
As limitações de estrutura entre a sua candidatura e as demais são abissais. A experiência acumulada entre uma candidatura e outra sugere que, neste novo pleito, haja um esforço de inserção no debate com a sociedade alagoana, especialmente junto às classes médias urbanas, intelectuais, estudantes e setores dos movimentos sociais.
A superação da fragilidade material da campanha pode ocorrer se houver a decisão de debater os principais temas historicamente associados à esquerda, como a superação da pobreza, numa leitura mais incisiva das contradições de classe na sociedade alagoana e brasileira. Abrir a discussão sobre os problemas que mantêm trabalhadores e trabalhadoras e os servidores públicos em condições de vulnerabilidade, assim como a defesa intransigente do Estado como instrumento de desenvolvimento, pode ser, quem sabe, a novidade destas eleições. O lugar comum já está ocupado pelos demais candidatos.
Não há muito a ser feito diante das muralhas erguidas, a não ser a formulação de propostas inovadoras voltadas a diferentes setores da sociedade alagoana. Fleming encontra-se entre a cruz e a caldeirinha: ou constrói uma campanha propositiva, sem sectarismo, ou perderá uma importante oportunidade de dialogar com amplos segmentos sociais.
É o que se espera do papel de sua candidatura dentro de um campo do pensamento de esquerda situado fora da rota convencional.
É uma aposta. Veremos no que vai dar.
*Historiador e jornalista






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