Se a intenção da sessão extraordinária da Câmara Municipal de Maceió, que analisou as contas de governo da Prefeitura referentes a 2019, era esclarecer, o resultado foi exatamente o oposto. O que se viu foi um roteiro confuso, improvisado e marcado por um atropelo regimental que deixou vereadores perdidos, procuradores em desacordo e a sociedade que assistia tentando, em vão, entender o que estava sendo votado e de quantos votos eram necessários para as partes.
Logo no início da sessão, o presidente da Casa, vereador Chico Filho (PL), resolveu explicar como funcionaria a votação. A explicação, no entanto, produziu um efeito curioso: conseguiu confundir não apenas o público externo, mas também os próprios vereadores. Se entre parlamentares experientes o entendimento já era difícil, imagine para quem acompanhava de casa tentando decifrar aquela engenharia regimental improvisada em tempo real.
Nos corredores da Câmara, o clima era de aula de reforço. Grupos se formavam para tentar explicar a manobra adotada pela presidência, mas os detalhes simplesmente não fechavam. Quanto mais se explicava, menos se compreendia. Um verdadeiro enigma legislativo.
Durante a sessão, a vereadora Teca Nelma (PT) trouxe mais um elemento ao debate. Ela informou que só teve acesso ao processo de aproximadamente quatro mil páginas às 14h28, quando a sessão estava marcada para começar às 15h.
Diante da situação, também questionou o formato de votação e pediu mais esclarecimentos aos procuradores da Casa. Foi aí que a cena ganhou contornos ainda melhores. Ao ser questionado, um procurador concursado afirmou que não concordava com a interpretação do presidente Chico Filho. Já o procurador comissionado preferiu balançar a cabeça afirmativamente, concordando com o presidente, cada um exercendo sua independência dentro das possibilidades do cargo.
Outro ponto duvidoso tocado na sessão foi a presença virtual do vereador Kelmann Vieira, líder do governo JHC, na sessão extraordinária da Comissão de Finanças que aconteceu na segunda-feira (23) e apreciou a defesa do ex-prefeito. Dias antes, ele havia divulgado nas redes sociais que passava por uma cirurgia em Aracaju e reafirmou isso em plenário. Mesmo assim, seu nome apareceu como voto favorável ao relator. O detalhe é que o Regimento Interno da Câmara não prevê participação remota de vereadores em sessões de comissões.
E, para fechar com chave de ouro, logo após a votação das contas do ex-prefeito e atual vereador Rui Palmeira, o plenário foi rápido e eficiente ao aprovar o aumento do duodécimo da Câmara, garantindo o repasse de mais R$ 5 milhões para a Casa. Dessa vez, curiosamente, não houve divergência regimental ou necessidade de longas explicações. Tudo fluiu com uma clareza impressionante.
Em uma sessão em que pouca coisa fez sentido, a votação do duodécimo foi o único ponto que todos pareceram compreender.






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