
Ex-presidente Jair Bolsonaro comparece ao primeiro dia de julgamento na Primeira Turma do STF que o tornou réu por tentativa de golpe de Estado | Gustavo Moreno/STF/Divulgação
Uma nova pesquisa do instituto Datafolha revelou que a maioria dos brasileiros considera que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ser preso pelas tentativas de abolição do Estado democrático de Direito. Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmam que ele merece a prisão, enquanto 42% discordam. Outros 7% não souberam opinar.
Apesar dessa maioria, o mesmo índice, 52%, acredita que Bolsonaro não será de fato preso. Apenas 41% preveem que o ex-presidente acabará atrás das grades, e novamente 7% não responderam. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de abril, com 3.054 pessoas de 172 cidades brasileiras, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Bolsonaro tornou-se réu recentemente no STF por encabeçar, segundo a Polícia Federal e a PGR, uma trama para invalidar as eleições de 2022 e manter-se no poder. Ele nega as acusações, embora tenha modificado sua versão original dos fatos, passando a alegar que apenas discutiu cenários hipotéticos.
Enquanto isso, lidera atos pedindo anistia para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Para os investigadores, esses atos estariam relacionados à tentativa frustrada de golpe no fim de 2022.
O apoio à prisão varia conforme a região, religião e escolaridade dos entrevistados. No Nordeste, 59% defendem a prisão de Bolsonaro, índice que cai para 46% no Sul. Entre católicos, 55% apoiam a prisão; já entre evangélicos, o número inverte: 54% são contra.
A pesquisa também sugere impactos políticos: entre os que votariam em Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) para presidente, 79% acham que Bolsonaro não deve ser preso. O governador, considerado possível herdeiro político do ex-presidente, tem buscado se equilibrar entre lealdade e moderação.
A expectativa de prisão também varia: é maior entre os mais ricos e escolarizados, e menor entre os jovens e pessoas com renda média. A divisão do país em torno de Bolsonaro permanece, agora refletida não só em votos, mas também em expectativas sobre justiça.






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