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Muito além da primeira-dama: o percurso político de Cilia Flores na Venezuela

por | 8 jan, 2026

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REUTERS/Carlos Jasso/Foto de arquivo

Cilia Adela Flores de Maduro é hoje conhecida na mídia mundial como primeira-dama da Venezuela, por sua condição de esposa do presidente sequestrado, Nicolás Maduro. No entanto, sua trajetória política é mais antiga e relevante do que a imagem cerimonial com que a mídia dos Estados Unidos e do Brasil insistem em tratá-la, reduzindo-a a uma condição decorativa do poder. Flores é uma figura política de longa data, cuja atuação jurídica e parlamentar foi relevante para a ascensão do chavismo no final do século XX e no início do século XXI.

Formada em Direito pela Universidad Santa María, em Caracas, Flores especializou-se em direito penal e trabalhista e construiu sua reputação inicialmente como advogada de defesa em casos políticos e sociais nos anos 1980 e 1990. Sua projeção nacional se consolidou no início da década de 1990, ao integrar a equipe jurídica que representou Hugo Chávez após a tentativa de golpe de Estado de 1992. Nesse papel, ajudou a articular a libertação de Chávez da prisão, em 1994, quando ele ainda era uma figura política emergente, estabelecendo-se como um dos nomes da liderança civil que apoiava o movimento bolivariano.

Após a libertação de Chávez, Flores passou a desempenhar funções estratégicas na construção do que viria a ser o movimento chavista. Ela esteve envolvida na criação de estruturas organizativas que deram base ao projeto político de Chávez e, com isso, ajudou direta e indiretamente em sua vitória nas eleições presidenciais de 1998.

Com o chavismo já no poder, Flores consolidou sua carreira política de forma independente da relação pessoal com Maduro. Em 2000, foi eleita deputada à Assembleia Nacional da Venezuela, onde foi reeleita em mandatos sucessivos e, em 2006, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional, cargo que exerceu até 2011.

Entre outras posições de destaque, Flores foi procuradora-geral da República a partir de 2012 e teve papel ativo na definição de políticas legais do regime chavista. Sua influência política extrapolou o gabinete legislativo, sendo apontada como uma das articuladoras de decisões estratégicas dentro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e de estruturas estatais.

Cilia Flores e Nicolás Maduro mantêm um relacionamento desde os anos 1990 e se casaram em julho de 2013, alguns meses depois de Maduro assumir a presidência da Venezuela.

No dia 3 de janeiro, Cilia Flores foi sequestrada por forças policias dos Estados Unidos junto com Nicolás Maduro. Ambos respondem em um tribunal federal em Nova York a acusações forjadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como as de narcotráfico e outros crimes. O que Trump de fato quer é roubar, à luz do dia, as jazidas de petróleo venezuelanas e outros minérios.

No dia 3 de janeiro, Cilia Flores foi sequestrada por forças dos Estados Unidos junto com Nicolás Maduro. Ambos respondem em um tribunal federal em Nova York a alegações de suposta participação em esquemas de tráfico internacional de drogas, associação criminosa e outros delitos correlatos, conforme acusações apresentadas pelas autoridades norte-americanas, que são negadas pelos envolvidos.

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