A denúncia apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet contra Jair Bolsonaro é um divisor de águas. O ex-presidente será julgado por tentativa de golpe, organização criminosa e outros crimes que colocaram a democracia brasileira à beira do abismo. E o mais revelador: nem seus advogados têm coragem de negar com clareza os atos cometidos.
A narrativa do “mito perseguido” já não se sustenta. O que existe agora é uma robusta pilha de provas, colhida dentro e fora do Palácio do Planalto, apontando para um plano golpista articulado, envolvendo militares, assessores e o próprio presidente da República. O Supremo Tribunal Federal, tantas vezes atacado pelos bolsonaristas, será o mesmo tribunal que colocará fim à sua trajetória política. E fará isso com a Constituição na mão.
Mas, atenção: o fim de Bolsonaro não é, por si só, o fim do bolsonarismo. A extrema-direita segue viva, tentando reorganizar-se em torno de novos nomes — nenhum deles com a mesma capacidade de mobilização. Ainda assim, o projeto de poder autoritário continua rondando, com novos disfarces e velhas intenções.
O STF será mais do que julgador de crimes: será o balizador dos limites civilizatórios do país. E caberá à sociedade exigir que essa condenação não seja apenas jurídica — mas política, histórica e pedagógica. Bolsonaro não é exceção. Ele é o símbolo de tudo o que não pode mais ser aceito.






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