Nos últimos dias, Janja da Silva voltou a ser alvo de ataques da grande mídia brasileira. À primeira vista, parecem críticas jornalísticas comuns — mas, por trás, há uma operação coordenada para enfraquecer simbolicamente o governo Lula. O curioso é que muitas dessas críticas vêm de jornalistas mulheres, numa estratégia pensada para mascarar o caráter misógino da ofensiva.
A campanha se intensificou após a visita da comitiva presidencial à Rússia e à China. Em Moscou, Lula atendeu ao convite de Vladimir Putin para a celebração dos 80 anos da vitória contra o nazismo, marco histórico da Segunda Guerra Mundial em que a União Soviética teve papel central, com 27 milhões de mortos. A presença brasileira gerou reações desproporcionais da imprensa, que raramente aplica o mesmo rigor quando se trata de viagens a países como EUA, Israel ou Arábia Saudita.
Em Pequim, foram assinados acordos de cooperação com a China, somando mais de 27 bilhões de dólares em investimentos. Mesmo diante desse feito diplomático e econômico, a narrativa dominante seguiu atacando a figura de Janja, especialmente após sua falar no jantar oferecido por Xi Jinping.
A primeira-dama defendeu a regulamentação das redes sociais, citando o caso de uma menina de 8 anos morta após um desafio viral no TikTok. A reação da mídia foi imediata: distorção, ironia e patrulhamento. No entanto, a própria plataforma respondeu com uma carta ao Itamaraty, afirmando estar disposta a dialogar com o governo brasileiro — reforçando a legitimidade da preocupação de Janja. No mesmo evento, Xi Jinping reconheceu o direito soberano do Brasil de regulamentar as big techs.
Esse episódio mostra que Janja incomoda não por erros, mas por romper com o modelo passivo e decorativo que historicamente se impôs às mulheres na política. Seu protagonismo e sua voz própria expõem o incômodo de uma elite que prefere mulheres silenciosas e governos submissos.
É hora de aprofundar o debate sobre a regulação das plataformas, a democratização da mídia e o enfrentamento do machismo disfarçado de jornalismo. O cerco a Janja é só a face visível de uma batalha maior: a luta por um país soberano, democrático e sem medo de se comunicar com o mundo de igual para igual.






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