Durante o governo Bolsonaro, a estrutura do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi alvo de uma ocupação política que resultou em um esquema bilionário de fraudes contra aposentados, pensionistas e segurados vulneráveis.
As investigações da Polícia Federal e reportagens publicadas pelo portal Metrópoles a partir de dezembro de 2023 revelaram como ex-dirigentes nomeados por Bolsonaro facilitaram o desvio de recursos públicos por meio de entidades que operavam descontos indevidos em benefícios previdenciários.
O epicentro da fraude estava nos chamados Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e dezenas de associações — muitas delas de fachada — que passaram a descontar mensalidades automaticamente dos proventos de aposentados e pensionistas. Tais acordos eram autorizados pela Diretoria de Benefícios do INSS, que esteve sob comando de José Carlos Oliveira (ex-ministro da Previdência de Bolsonaro) e seu sócio Edson Akio Yamada, também ex-diretor do órgão.
Essas entidades estavam ligadas ao operador Antônio Carlos Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, apontado como o articulador do esquema. Mesmo respondendo a milhares de processos por fraudes em filiações e cobranças irregulares, essas organizações passaram a arrecadar somas astronômicas: mais de R$ 2 bilhões em um único ano.
O escândalo expôs uma política deliberada de desmonte da estrutura de fiscalização do INSS. Ao longo do governo Bolsonaro, o órgão foi alvo de cortes, militarização e nomeações políticas sem qualificação técnica. A fila de espera por benefícios explodiu, ultrapassando 2 milhões de pedidos pendentes, enquanto dentro da casa, grupos organizados saqueavam o dinheiro dos aposentados.
A destruição da governança da Previdência servia a dois propósitos: permitir o roubo imediato por meio de fraudes em massa e criar as condições para a privatização da Previdência pública, apresentando-a como ineficaz. A combinação de abandono institucional e aparelhamento político resultou em um dos maiores esquemas de corrupção contra idosos e trabalhadores do Brasil.
Foi apenas com a chegada do presidente Lula, em 2023, que o esquema começou a ser desmantelado. O novo governo suspendeu os acordos suspeitos, reestruturou as áreas técnicas e passou a colaborar com as investigações. Pela primeira vez, o Estado passou a agir para proteger os aposentados — não para saqueá-los.







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