A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira atinge o coração do sistema de poder construído pelo Centrão nos últimos anos. Ciro não é apenas um líder da oposição. É um dos principais articuladores, dentro do Congresso Nacional, dos interesses do mercado financeiro e da Faria Lima.
Ao lado do deputado Arthur Lira, Ciro foi um dos arquitetos das emendas Pix e do orçamento secreto, mecanismos que transferiram bilhões do Orçamento da União para negociações políticas sem transparência adequada.
As investigações envolvendo o Banco Master avançam justamente sobre esse ambiente de relações entre poder político, mercado financeiro e grupos econômicos. A PF apura suspeitas envolvendo familiares do senador, operadores políticos e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Chama atenção também o comportamento da grande imprensa brasileira nesta quinta-feira (8). A busca e apreensão contra um dos homens mais poderosos da República recebeu cobertura tímida e discreta em boa parte dos grandes veículos nacionais.
O caso também expõe o papel da CPMI do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana e relatada pelo deputado Alfredo Gaspar. A comissão evitou aprofundar investigações sobre setores financeiros e estruturas ligadas ao Banco Master e à Igreja Batista da Lagoinha, funcionando politicamente como escudo de interesses hoje alcançados pelas investigações da Polícia Federal.
A operação contra Ciro Nogueira rompe a sensação de blindagem que protegia parte importante do sistema político ligado ao Centrão e ao mercado financeiro. O temor em Brasília é que as investigações avancem ainda mais sobre essa engrenagem de poder.







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