Levantamento da Ascema Nacional aponta que 240 candidatos que disputam as eleições de 2026 estão associados a 524 autos de infração ambiental registrados pelo Ibama e pelo ICMBio. As multas somam R$ 213,5 milhões em valores originalmente aplicados.
O estudo cruzou os CPFs de 20.653 candidatos com as bases de fiscalização dos dois órgãos federais. O grupo identificado representa 1,16% das candidaturas analisadas.
Entre os partidos, o PL aparece na primeira posição, com 35 candidatos relacionados a 64 autos de infração, que totalizam R$ 16,3 milhões em multas. Na sequência estão MDB, com 26 candidatos; Podemos, com 22; Republicanos, com 19; e PSDB, com 18.
Segundo a Ascema, a presença de partidos de direita e centro-direita nas primeiras posições do levantamento é relacionada, no relatório, à defesa de pautas como flexibilização da fiscalização ambiental, desregulamentação e interesses ligados ao agronegócio.
Deputados concentram maior número de casos
Os candidatos a deputado estadual representam a maior parcela dos nomes autuados. São 119 candidatos ligados a 260 autos de infração, com multas que chegam a R$ 129,7 milhões.
Entre os candidatos a deputado federal, são 83 nomes relacionados a 178 autos, somando R$ 67,3 milhões.
A entidade chama atenção para a possível influência que candidatos eleitos para o Legislativo podem exercer sobre leis, orçamento e políticas públicas relacionadas à fiscalização ambiental.
O levantamento também aponta concentração dos casos nas regiões Norte e Centro-Oeste. Tocantins lidera em número de candidatos autuados, com 20 nomes. Já o Pará registra a maior quantidade de autos, com 59.
Em valores, Goiás aparece com R$ 67,6 milhões em multas, seguido por Roraima, com R$ 55,6 milhões.
Possível conflito de interesses
A Ascema aponta como uma das principais preocupações a possibilidade de conflito de interesses caso pessoas com histórico de autuações ambientais passem a ocupar cargos capazes de interferir em regras, orçamento e estrutura dos órgãos de fiscalização.
O relatório cita, entre os possíveis mecanismos de influência, alterações legislativas, redução de exigências ambientais, cortes de recursos destinados à fiscalização e mudanças na estrutura administrativa do Ibama e do ICMBio.
O estudo também destaca o caso do Democracia Cristã (DC). Embora o partido tenha apenas nove candidatos autuados, eles estão relacionados a R$ 54 milhões em multas.
A entidade, porém, faz uma ressalva: um auto de infração não representa uma condenação definitiva e não comprova, por si só, a prática de crime. Também não significa que o candidato esteja inelegível ou que o valor da multa permaneça integralmente devido.
Os processos administrativos podem ser contestados, revisados, reduzidos, pagos ou anulados.
Para elaborar o levantamento, foram consideradas apenas correspondências exatas de CPF entre as candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as bases do Ibama e ICMBio. Autos cancelados ou anulados e registros anteriores a julho de 1994 foram excluídos.
A pesquisa também não considerou empresas vinculadas aos candidatos por CNPJ nem autuações realizadas por órgãos estaduais ou municipais.
Com o portal Vermelho





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