O movimento Policiais Antifascismo, criado em 2016 no Nordeste e oficializado em 2017 no Rio de Janeiro, reúne mais de 5 mil integrantes — entre ativos e aposentados das forças de segurança — e conta com uma ampla rede de apoio, com 21 mil membros em sua página no Facebook. Trata-se de um coletivo heterogêneo e suprapartidário, composto por policiais civis, militares, federais, rodoviários, guardas municipais e agentes do sistema penitenciário e socioeducativo.
Em um ambiente historicamente dominado pelo autoritarismo e pela lógica de “guerra ao inimigo”, os Policiais Antifascismo se destacam por defender uma segurança pública cidadã, democrática e não militarizada. Durante o governo Bolsonaro, o movimento foi uma voz dissidente dentro das corporações, contrapondo-se à lógica racista, misógina, lgbtfóbica e violenta do bolsonarismo.
Um de seus expoentes, o policial civil licenciado e deputado estadual Leonel Radde, sintetiza essa postura: “Ser policial antifascista é cumprir a Constituição, defendendo a democracia e os direitos humanos”.
Mesmo com esse protagonismo, o movimento enfrenta obstáculos. A extrema-direita tenta monopolizar o discurso da segurança, enquanto parte da esquerda ainda reluta em dialogar com as corporações, mesmo reconhecendo a importância estratégica de setores progressistas dentro delas.
O movimento contesta a falsa ideia de que vivemos uma guerra, denunciando as políticas de extermínio contra a juventude negra e pobre e alertando para o alto índice de policiais mortos — oriundos das mesmas periferias onde o Estado atua com violência. Como afirmam: “Não estamos em guerra”.
A pauta central é a desmilitarização da segurança pública, com a desvinculação das PMs das Forças Armadas e o fim da presença militar em ações policiais. Isso não apenas protegeria os direitos dos profissionais da segurança, como também ajudaria a romper com a cultura de morte que marca a atuação estatal nas periferias.
Os Policiais Antifascismo, como parte legítima do campo democrático, precisam ser reconhecidos pelo seu papel na disputa por uma nova concepção de segurança pública dentro das corporações. Ignorar sua atuação crítica e propositiva é reforçar o domínio da extrema-direita sobre o tema. Eles já estão do lado da democracia — o que falta é que os setores progressistas os acolham como aliados estratégicos na construção de uma política de segurança pautada pelos direitos humanos, pela justiça social e pelo respeito à vida.






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