A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta sexta-feira (18), mandados de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e em endereços ligados ao Partido Liberal. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e acompanhada da imposição de duras medidas restritivas.
Entre as determinações impostas, Bolsonaro está obrigado a usar tornozeleira eletrônica e deve cumprir recolhimento domiciliar noturno, permanecendo em casa das 19h às 7h. Além disso, o ex-presidente foi proibido de acessar redes sociais, de manter contato com outros investigados no inquérito e de se comunicar com embaixadores ou representantes diplomáticos. Ele também está impedido de se aproximar de embaixadas e consulados estrangeiros.
A defesa de Bolsonaro confirmou que ele foi notificado das medidas e que os agentes federais estiveram em sua casa nesta manhã. As buscas fazem parte das investigações sobre supostas ações ilegais praticadas durante o seu governo, incluindo um esquema de espionagem contra opositores e autoridades, por meio de uma estrutura paralela montada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Fontes próximas ao inquérito indicam que o STF avaliou que Bolsonaro utilizava sua influência e canais digitais para tentar obstruir a Justiça e articular movimentos de desinformação. As medidas desta sexta reforçam o cerco judicial que já vinha se apertando desde operações anteriores, como a que investigou fraudes em cartões de vacinação e a tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Com essas restrições inéditas impostas a um ex-presidente da República, o Brasil entra em um novo patamar no processo de responsabilização política e criminal de lideranças envolvidas em atos contra a democracia.






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