sexta-feira, 10 julho 2026
Algumas nuvens
Maceió
25°C
Algumas nuvens
Algumas nuvens
Maceió
25°C
Algumas nuvens

Tornozeleira, choro e caos diplomático: Bolsonaro desmorona sob pressão da Justiça e do tarifaço de Trump

por | 20 jul, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Jair Bolsonaro fala à imprensa depois de ter sido levado pela Polícia Federal para botar uma tornozeleira eletrônica (Foto: Mateus Bonomi/Reuters/Folhapress)

A imagem de Jair Bolsonaro chorando no Senado e pedindo orações, nesta semana, foi apenas um dos retratos de um político à beira do colapso. Segundo matéria assinada por João Filho no The Intercept Brasil, o ex-presidente está à flor da pele, acuado por decisões judiciais e pela perda de apoio popular. O episódio mais simbólico veio logo depois: o famoso “toc toc toc” da Polícia Federal na porta de sua casa e na sede do PL, em Brasília. Resultado? Bolsonaro agora ostenta uma tornozeleira eletrônica.

A ordem partiu do Supremo Tribunal Federal (STF), que viu nas recentes falas de Donald Trump e no comportamento desesperado de Bolsonaro indícios de que o ex-presidente preparava uma fuga. A decisão, na prática, foi uma resposta clara: a soberania brasileira não será rifada, nem pelo bolsonarismo nem por pressões externas.

A crise tomou proporções internacionais depois que Trump anunciou um tarifaço contra o Brasil, medida vista por analistas como uma retaliação à investigação que envolve Bolsonaro. O gesto acendeu alertas até mesmo entre aliados do ex-presidente. Hamilton Mourão se disse contra a intromissão americana, e líderes do Congresso se viram forçados a apoiar o governo Lula na defesa do país.

Enquanto isso, Lula aproveitou o momento. Em rede nacional, chamou Trump de agressor da soberania brasileira e classificou políticos bolsonaristas como “traidores da pátria”. Em tom firme, prometeu que as big techs americanas respeitarão as leis do país e ironizou os adversários com deboche: distribuiu jabuticabas e imitou Eduardo Bolsonaro chorando.

Patriotismo da extrema-direita em xeque

A rendição explícita da família Bolsonaro a Trump expôs as contradições da retórica patriótica da extrema-direita. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, agradeceu a carta aberta de Trump que pedia o fim do julgamento do pai e sugeriu, sem meias palavras, que porta-aviões americanos poderiam chegar “em breve” ao Lago Paranoá. Um tipo de “patriotismo” que torce pela invasão militar estrangeira.

Na avaliação de João Filho, o bolsonarismo entrou em rota de desgaste acelerada. Pesquisas apontam que 62% da população desaprova as sanções de Trump contra o Brasil e que a maioria acredita que Lula representa melhor os interesses nacionais. A recuperação da imagem do governo ocorre principalmente entre eleitores de classe média e alta escolaridade no Sudeste.

Bolsonaro chorou e pediu orações durante participação em uma sessão do Senado nesta semana (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Mas o custo da aventura bolsonarista vai além da política. Produtores do Vale do São Francisco alertam para um possível colapso na exportação de frutas, especialmente mangas, para os EUA. A região movimenta cerca de R$ 2,7 bilhões anuais e emprega mais de um milhão de pessoas direta e indiretamente. O tarifaço de Trump, agravado pela submissão bolsonarista, ameaça devastar esse setor.

A tornozeleira de Bolsonaro não é apenas um símbolo de restrição judicial. É também o marco de um momento em que o Estado brasileiro afirma sua autonomia. A pergunta agora é: até onde Trump está disposto a ir para proteger seu aliado decadente? A resposta pode definir os próximos capítulos dessa crise.

Como conclui João Filho, o que se vê é uma direita golpista que balança a cauda para o Tio Sam enquanto milhares de brasileiros podem perder seus empregos. A cena final da semana foi emblemática: Bolsonaro, agora monitorado por satélite, chora no plenário enquanto o STF manda um recado — o Brasil não será colônia.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *