sexta-feira, 26 junho 2026
Chuva leve
Maceió
25°C
Chuva leve
Chuva leve
Maceió
25°C
Chuva leve

Ufal concede diplomas póstumos a estudantes perseguidos pela ditadura militar

por | 4 nov, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Assessoria

Em um ato de grande significado histórico e político, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) concederá diplomas póstumos a três de seus estudantes que tiveram suas trajetórias interrompidas pela violência do regime militar. José Dalmo Guimarães Lins, Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão e Manoel Lisboa de Moura foram perseguidos, torturados e mortos por defenderem ideias de liberdade, democracia e justiça social — valores que, meio século depois, a Universidade reafirma ao devolver-lhes simbolicamente o direito ao reconhecimento acadêmico.

A solenidade ocorrerá no próximo domingo (09), às 10h, na Sala Ipioca do Centro de Convenções de Maceió, durante a Bienal do Livro de Alagoas.

O jornalista, chargista e ilustrador Ênio Lins, familiar de José Dalmo, classificou o gesto da Ufal como “uma aula magna de cidadania e democracia”.

“Trata-se de um gesto de justiça histórica e de cidadania, posto ter sido a Universidade, como um todo, vítima daquele sistema ditatorial. Ao diplomar alunos e aluna que perderam a vida e tiveram seus cursos interrompidos pelo terrorismo de Estado, a Ufal ministra uma verdadeira aula magna de cidadania e democracia e se reafirma independente, autônoma, consciente de seu papel educacional e histórico”, destacou.

José Dalmo Guimarães | Reprodução

O reconhecimento também emocionou Thomáz Beltrão, irmão de Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, estudante de Economia e militante da Juventude Estudantil Católica (JEC), assassinada em 1972. “A entrega deste diploma enche a nossa família de orgulho e é também uma reparação histórica que a Universidade está fazendo com esses jovens. Jovens que têm o seu papel histórico reconhecido, que lutaram de forma destemida, que verteram seu sangue em prol da democracia, da liberdade e da educação pública, gratuita e de qualidade para todos os brasileiros, que é o caminho que a gente tem que trilhar”, afirmou.

Manoel Lisboa | Reprodução

O ato simbólico, promovido pela Comissão da Verdade da Ufal, resgata não apenas a memória dos estudantes, mas também o papel da própria Universidade como espaço de resistência e liberdade. A cerimônia representa uma reparação moral e institucional, reconhecendo que, durante o período autoritário, a repressão também atingiu diretamente o ambiente acadêmico, silenciando vozes críticas e destruindo projetos de vida.

José Dalmo Lins era aluno da Faculdade de Direito e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Torturado e perseguido, teve a saúde física e mental destruída, vindo a falecer em 1971. Gastone Beltrão, da Faculdade de Economia, foi capturada e morta por agentes do DOPS-SP em 1972. Já Manoel Lisboa, estudante de Medicina, militante da UNE, do PCdoB e fundador do Partido Comunista Revolucionário (PCR), foi torturado até a morte em 1973.

Gastone Lúcia | Reprodução

Mais de 50 anos depois, os diplomas que não puderam ser entregues por causa da violência do Estado chegam, enfim, às mãos de seus familiares — como um gesto de reconhecimento, mas também de advertência.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *