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Ufal concederá diplomação póstuma a estudantes vítimas da ditadura militar

por | 2 abr, 2025

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Foto: Cortesia

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realizou, nessa terça-feira (1º), uma sessão ordinária em que foi discutido, entre outros pontos de pauta, o requerimento das conselheiras docentes Emanuelle Rodrigues e Iracilda Moura, propondo a diplomação póstuma de três estudantes da Ufal, vítimas da ditadura militar: Gastone Beltrão, estudante de Economia; José Dalmo Guimarães Lins, estudante de Direito; e Manoel Lisboa de Moura, estudante de Medicina. O Consuni aprovou por unanimidade a diplomação dos três estudantes, e a reitoria marcará uma data para a realização do ato solene de diplomação simbólica e póstuma.

O Consuni, instância máxima de deliberação da política geral da Ufal, é composto por 61 titulares que representam a comunidade acadêmica, incluindo professores, estudantes e técnicos administrativos.

A sessão contou com a presença de familiares dos estudantes homenageados, amigos e representantes de partidos políticos como PCB, PCR, PCdoB, Cidadania e PT, além de ex-presos políticos e exilados. Em nome da família de Dalmo Lins, falou o jornalista e ex-líder estudantil Ênio Lins. O engenheiro Thomaz Beltrão representou a família de Gastone Beltrão, e a professora Iracilda Moura, sobrinha de Manoel Lisboa e uma das autoras do requerimento, também discursou.

Na abertura da sessão solene, o reitor Josealdo Tonholo destacou o compromisso da universidade com a memória, a verdade, a justiça e a reparação. “Este ato simbólico representa um passo significativo na valorização da história e na promoção dos direitos humanos, reafirmando o compromisso da Ufal com os princípios democráticos e a defesa intransigente da liberdade e da justiça social.”

A professora Iracilda Moura enfatizou a importância da diplomação simbólica como forma de reparação histórica às vítimas da ditadura militar. “É uma honra poder estar aqui nesse momento, ver o nome dele ser reintegrado com a futura diplomação. Ele tinha o direito de estudar, mas foi expulso da universidade aos 20 anos. Era estudante de Medicina e foi perseguido pelo regime. A instituição tem esse papel de resistência, ainda mais hoje, quando há pessoas que defendem esse tipo de regime, mesmo com a história sendo contada. A importância desse ato é justamente preservar a memória, para que o povo não esqueça daqueles que lutaram por um país melhor e acabaram sendo torturados e executados”, declarou.

Foto: Divulgação

O ex-preso político e dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR) Edvaldo Nunes, conhecido como Cajá, foi convidado pela reitoria para participar da sessão histórica. Em seu discurso, fez um longo relato sobre a trajetória política de Manoel Lisboa e ressaltou o simbolismo do ato. “É de um significado muito grande poder hoje contar com esta solenidade, que vai fazer uma diplomação póstuma de um herói do povo, de três heróis do povo que lutaram pela democracia, pela liberdade e contribuíram com a sua própria vida. Manoel Lisboa, por exemplo, foi aluno desta universidade, um homem à frente do seu tempo, culto, inteligente, mas de uma extrema sensibilidade e solidariedade humana levada ao extremo. Morreu lutando pelo fim da ditadura e pela construção de uma nova sociedade”, afirmou, emocionado.

O jornalista Anivaldo Miranda, também vítima da ditadura militar, teve que sair de Alagoas para viver na clandestinidade no Rio de Janeiro e, posteriormente, se exilar na Dinamarca, onde permaneceu até a anistia em 1979.

Dados históricos

Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, natural de Coruripe, Alagoas, ingressou no curso de Economia da Ufal em 1968, classificando-se em terceiro lugar no vestibular. Militante ativa, integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN) e recebeu treinamento de guerrilha em Cuba. Foi executada por agentes do DOPS-SP em 1972.

José Dalmo Guimarães Lins, nascido em Maceió, estudou Direito na Ufal, mas foi expulso devido ao seu envolvimento em atividades consideradas subversivas pelo regime militar. Teve formação política em Cuba e na União Soviética e militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Faleceu no Rio de Janeiro em 11 de fevereiro de 1971, após seis meses de detenção, período em que foi torturado diversas vezes, não conseguindo superar as sequelas das atrocidades sofridas.

Manoel Lisboa de Moura, conhecido como “Galego”, nasceu em Maceió e foi um dos fundadores do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Participou ativamente do movimento estudantil e foi preso pela primeira vez em 1965. Após ser capturado novamente em 1973, foi torturado e morto sob custódia do regime militar.

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