Em um movimento sem precedentes e que fere os limites constitucionais do cargo de governador, Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, articulou diretamente com o governo de Donald Trump uma ofensiva diplomática para que o Departamento de Estado norte-americano reconheça o Comando Vermelho como uma organização narcoterrorista.
A iniciativa ignora completamente os canais oficiais da política externa brasileira, como o Ministério das Relações Exteriores e a Polícia Federal, únicos órgãos legitimados a tratar de cooperação internacional e segurança transnacional. Ao agir à margem da diplomacia nacional, Castro viola o pacto federativo e pode comprometer a soberania do país.
Especialistas em direito constitucional avaliam que tal conduta abre precedente perigoso, pois poderia justificar sanções unilaterais dos Estados Unidos contra instituições brasileiras — e até operações militares em território nacional, sob o pretexto de combate ao narcotráfico, como já ocorreu na Venezuela, com o “Tren de Aragua”, e no México, com o cartel “Los Zetas”.
A informação foi revelada após o vazamento de parte de um relatório enviado por Castro à Casa Branca, cujo conteúdo foi divulgado pela colunista Malu Gaspar, de O Globo. O documento, segundo a jornalista, detalha supostas conexões do tráfico carioca com redes internacionais, argumento usado por Castro para buscar o apoio norte-americano.
O comportamento do governador pode ser classificado como o de um “quinta-coluna” — termo histórico que remonta à Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando o general Emilio Mola afirmou ter quatro colunas de tropas marchando sobre Madri e uma “quinta coluna” infiltrada na cidade, pronta para sabotar o inimigo por dentro.
Desde então, “quinta-coluna” passou a designar quem age dentro de um país ou instituição em favor de interesses estrangeiros, minando a autoridade nacional e a coesão interna. No contexto atual, o uso do termo simboliza a traição à soberania e aos princípios da República, quando autoridades locais buscam alinhamento direto com potências externas em detrimento das instituições nacionais.
Para observadores, a ofensiva de Cláudio Castro não apenas expõe o desprezo pela Constituição Federal, mas também revela um cálculo político — o de reforçar sua imagem diante da extrema direita internacional, reaproximando-se do trumpismo e do bolsonarismo, que fizeram da retórica “antiterrorista” uma bandeira ideológica.






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