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Com discurso ideológico e sem propostas reais, Cícero Albuquerque perde espaço na campanha eleitoral

por | 4 set, 2022

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Cícero diz que sua candidatura é uma alternativa fora dos compromissos políticos tradicionais | Divulgação

Ao se apresentar ao eleitorado alagoano o professor Cícero Albuquerque, como candidato a governador, o Partido Socialismo e liberdade (PSol), mostrou seu propósito político. O partido pretende construir um campo político eleitoral próprio ou, como quer a militância psolista, transformar sua candidatura em ato de resistência da esquerda.

A candidatura de Cícero é a tentativa do PSol de se diferenciar da esquerda petista. Esta, ao se inserir no espectro de alianças de centro-esquerda, tem como principal estratégia, eleger Lula presidente do Brasil.

Professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), graduado em História, mestre em Sociologia, Cícero quer conquistar a fatia do eleitorado que não concorda com a candidatura de Paulo Dantas (MDB), apoiada pelo PT, mas que vota em Lula e em candidatos proporcionais de esquerda.

Propostas reais

As qualificações acadêmicas o candidato do Psol tem, mais até que qualquer outro concorrente. Entretanto, o partido parece ignorar que, em disputa eleitoral, pra vencer, esses atributos nem sempre são necessários.

Pelo discurso e forma como se movimenta nesta campanha, Cícero Albuquerque parece não entender que a redução numérica da classe média urbana é um fator inibidor da sua candidatura. Por outro lado, há sim na classe média alagoana um espaço a ser conquistado.

Mas, para isso, é preciso que o candidato apresente um discurso político capaz de sensibilizar formadores de opinião, que não são militantes de nenhum partido, mas que estão abertos a uma candidatura que se proponha inovadora.

Por enquanto, o tom ideológico que o professor Cícero Albuquerque tem enfatizado nas suas redes sociais e discursos, é um balsamo apenas para os militantes do Psol e convertidos de esquerda.

Perdas desnecessárias

Contudo, há uma fatia não militante, que ideologicamente se alinha à esquerda, sentindo falta de um programa político eleitoral consistente, e que trate objetivamente dos problemas reais da população.

Se quiser alçar vôo maior, considerando a falta de estrutura material do seu partido, o candidato Cícero precisa entender que o tom puramente ideológico lhe impõe perdas desnecessárias.

O espaço eleitoral que o PSol, com um candidato a governador, quer conquistar, passa pela reavaliação do eixo da campanha nessa eleição. O partido precisa abordar as questões políticas e econômicas com os pés na realidade de Alagoas e do Brasil.

Se identificar temas essenciais que lhe permita dialogar com o eleitor, e não apenas com a militância partidária, Cícero Albuquerque será capaz de calibrar o discurso político, sem tirar os pés da base ideológica.

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