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Perito contratado para investigar filme sobre Bolsonaro também atua em caso de R$ 87 milhões aplicados no Banco Master

por | 8 set, 2026

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O perito Anísio Costa Castelo Branco atua simultaneamente em duas frentes que envolvem o Banco Master. Desde janeiro de 2026, a empresa comandada por ele presta serviços ao Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), responsável por investimentos de R$ 87 milhões em títulos da instituição financeira.

Meses depois, em junho, ele foi contratado para realizar uma perícia investigativa defensiva relacionada ao filme *Dark Horse*, produção sobre Jair Bolsonaro que passou a integrar as investigações da Polícia Federal envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

No caso de Cajamar, o contrato firmado com o Instituto de Perícia Investigativa (IPI) tem valor de R$ 728,5 mil e foi celebrado por inexigibilidade de licitação. A maior parte da quantia, R$ 692,7 mil, está vinculada à chamada perícia investigativa defensiva sobre os desdobramentos das aplicações realizadas no Banco Master.

A atuação do perito inclui a análise das demonstrações contábeis do banco, inclusive de períodos anteriores à liquidação extrajudicial, além do acompanhamento de procedimentos conduzidos pelo Banco Central. O trabalho também envolve documentos produzidos pela KPMG e pela Fitch Ratings e a avaliação da atuação de órgãos como Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Ministério da Previdência.

O IPI também presta assistência técnica à defesa jurídica do instituto de Cajamar em processos judiciais e investigações que buscam esclarecer as circunstâncias das aplicações e identificar eventuais responsabilidades.

Duas atuações no mesmo universo

A participação de Anísio no caso de Cajamar já estava formalizada antes de sua contratação para atuar na investigação relacionada ao filme Dark Horse.

Em 7 de maio, o IPSSC apresentou o perito à Justiça como assistente técnico em uma ação que questiona os investimentos realizados no Banco Master. Pouco mais de um mês depois, em 11 de junho, ele assinou o trabalho de perícia investigativa defensiva relacionado às contas do filme.

De acordo com Anísio, o escritório HSLaw, responsável pela contratação para o caso Dark Horse, tinha conhecimento de sua atuação no processo envolvendo o Banco Master. Segundo ele, os dois trabalhos passaram pelo setor de compliance do IPI, que não identificou conflito de interesses.

A experiência técnica do perito também teria sido um dos fatores considerados para sua contratação. Antes dos trabalhos relacionados ao Dark Horse, o IPI já havia realizado perícias investigativas defensivas para o mesmo escritório.

Investigação sobre os R$ 87 milhões

A atuação de Anísio em Cajamar ocorre dentro de uma ampla apuração sobre como R$ 87 milhões pertencentes ao instituto previdenciário foram destinados ao Banco Master.

Os investimentos foram realizados em três etapas: R$ 35 milhões em outubro de 2023, R$ 25 milhões em dezembro do mesmo ano e outros R$ 27 milhões em março de 2024.

Uma ação popular apresentada na Justiça questiona as operações e inclui entre os réus o IPSSC, o Banco Master, Daniel Vorcaro, antigos dirigentes da previdência municipal, a consultoria Mais Valia e o então prefeito de Cajamar, Danilo Joan.

Em abril, a Justiça determinou a realização de perícia contábil e atuarial para reconstruir as operações. A análise deverá verificar a situação financeira do Banco Master no período em que os aportes foram realizados, os critérios utilizados para avaliação dos riscos, os responsáveis pelas decisões, eventual prejuízo e possíveis impactos sobre o patrimônio da previdência municipal.

O perito contratado pelo IPSSC passou a acompanhar tecnicamente o procedimento e também a sindicância interna instaurada para apurar eventuais responsabilidades de dirigentes e outros agentes envolvidos.

Banco Central, CVM e empresas de auditoria na mira da análise

A perícia contratada pelo instituto não se limita às decisões tomadas dentro da previdência municipal.

Entre os pontos examinados estão os mecanismos de fiscalização do Banco Central, a atuação da CVM, os trabalhos de auditoria realizados pela KPMG, as classificações de risco atribuídas pela Fitch Ratings e os procedimentos adotados pelo Ministério da Previdência para habilitar instituições financeiras a receber recursos de regimes próprios de previdência.

A depender das conclusões, os documentos produzidos pelo IPI poderão subsidiar medidas para tentar recuperar os recursos aplicados no Banco Master, além de eventuais ações de responsabilização ou pedidos de indenização.

Anísio afirma, porém, que os trabalhos ainda estão em andamento e que não existe, até o momento, uma conclusão definitiva sobre responsabilidades.

Polícia Federal também investiga as aplicações

O caso passou a integrar ainda uma investigação da Polícia Federal. A Operação Off-Balance, deflagrada em maio, apura suspeitas relacionadas à gestão de aproximadamente R$ 107 milhões aplicados pela previdência municipal em letras financeiras emitidas por instituições privadas.

Do total investigado, R$ 87 milhões foram destinados ao Banco Master.

As apurações levantam suspeitas de falhas na análise dos emissores e dos riscos envolvidos nas operações, além de questionamentos sobre a justificativa para a escolha dos ativos, os limites de concentração dos investimentos e a documentação utilizada para embasar as decisões.

Paralelamente, a Justiça autorizou que elementos de outra investigação, a Operação Fundo Fake, fossem incorporados ao processo. O material envolve episódios anteriores relacionados a fundos previdenciários e ao antigo Banco Máxima, instituição que posteriormente passou a operar como Banco Master.

O conjunto de investigações busca esclarecer não apenas o destino dos recursos de Cajamar, mas também as circunstâncias que permitiram os investimentos, os critérios utilizados para autorizá-los e a eventual existência de falhas ou responsabilidades ao longo do processo.

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